Cientistas mapeiam a falha oculta que pode desencadear o próximo grande terremoto na turquia

Terremoto (ilustrativo)

doi.org/10.1130/G52995.1
Credibilidade: 989
#Terremoto 

A Turquia está situada em uma das regiões mais ativas tectonicamente do planeta, onde placas como a Eurasiana, a Africana, a Arábica e a Anatólia colidem constantemente, gerando uma longa história de terremotos devastadores

Um dos mais trágicos foi o de Erzincan, em 1939, que causou a morte de mais de 30 mil pessoas. Desde então, os grandes abalos sísmicos vêm se deslocando progressivamente para o oeste ao longo da Falha do Norte da Anatólia, uma das falhas transformantes mais perigosas do mundo.

Muitos especialistas acreditam que o próximo grande terremoto deve ocorrer justamente sob o Mar de Mármara, uma parte dessa falha que permanece em silêncio há mais de 250 anos. Esse longo período sem rupturas significativas permitiu que uma enorme quantidade de energia se acumulasse, aumentando o risco para uma das áreas mais populosas do país, incluindo a região metropolitana de Istambul.

Até recentemente, a estrutura detalhada dessa falha sob o mar permanecia em grande parte um mistério, o que os cientistas chamam de “invisível”, apesar de décadas de pesquisas. Sem um mapa claro do que acontece nas profundezas, era difícil prever com precisão onde e como um novo terremoto poderia começar.

Este novo modelo tridimensional (3D) de resistividade sob a falha da Anatólia do Norte ajudará os cientistas da Terra a identificar com mais precisão as áreas em risco de grandes terremotos. Crédito: Instituto de Ciência de Tóquio

Agora, uma equipe internacional liderada pelo Dr. Yasuo Ogawa, professor emérito do Instituto de Ciência de Tóquio, no Japão, e com participação da Dra. Tülay Kaya-Eken, da Universidade Bo”aziçi, na Turquia, conseguiu criar o primeiro modelo tridimensional completo da região subterrânea abaixo do Mar de Mármara. O trabalho foi publicado na revista “Geology” e representa um avanço importante na compreensão dessa ameaça.

Para realizar esse mapeamento, os pesquisadores analisaram um vasto conjunto de dados coletados por mais de 20 estações magnetotelúricas. Esses equipamentos registram variações muito sutis nos campos elétricos e magnéticos naturais da Terra, que são influenciados pelas estruturas rochosas profundas. Com técnicas avançadas de inversão tridimensional, eles reconstruíram uma imagem detalhada da resistividade elétrica da crosta em dezenas de quilômetros de profundidade sob o fundo do mar.

O modelo revelou um cenário complexo: existem zonas de baixa resistividade, que indicam a presença de fluidos como água e, por isso, são mecanicamente mais fracas, e áreas de alta resistividade, mais rígidas e travadas. Essas diferenças na resistência das rochas criam fronteiras críticas onde o estresse tende a se concentrar. Segundo os autores, os terremotos de grande magnitude provavelmente começarão nessas transições entre seções mais fracas e mais fortes da falha, ou nas bordas de zonas altamente resistivas.

Essa descoberta ajuda a esclarecer a mecânica da falha e oferece ferramentas mais precisas para estimar onde e com que força o próximo grande evento pode ocorrer. Com informações mais confiáveis sobre a localização e a magnitude potencial de futuros terremotos, as autoridades terão melhores condições de planejar medidas de prevenção, preparação e mitigação de desastres, podendo salvar vidas e reduzir danos na região de Istambul e arredores quando o inevitável acontecer.


Publicado em 17/02/2026 01h14


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