
O mundo pode estar caminhando para um dos eventos climáticos mais intensos dos últimos 150 anos
As projeções mais recentes dos principais modelos de clima indicam que o El Niño, o fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, deve se fortalecer de forma extraordinária ao longo de 2026, com possibilidade de alcançar níveis recordes.
Especialistas da MetSul Meteorologia e de instituições internacionais acompanham com atenção o rápido aquecimento das águas do Pacífico. Modelos como o europeu ECMWF e o norte-americano CFS, da NOAA, mostram anomalias de temperatura na região Niño 3.4 podendo chegar a +3C ou mais até o final do ano. Para se ter uma ideia, os Super El Niños de 1997-1998 e 2015-2016 registraram picos em torno de +2,7C a +2,8C. O cenário atual sugere algo ainda mais forte, possivelmente comparável aos eventos extremos observados desde a década de 1870.
Um sinal preocupante é o calor acumulado abaixo da superfície do oceano. Em algumas áreas, as temperaturas subsuperficiais chegaram a registrar até 8C acima da média. Esse reservatório de energia térmica funciona como combustível: quando sobe para as camadas superficiais, acelera o aquecimento do mar. Além disso, os meteorologistas observam a formação de ondas Kelvin, que transportam essa água quente em direção à América do Sul.
Outro fator que pode acelerar o fenômeno é um evento raro chamado de “Estouro de Vento de Oeste” (WWB). Normalmente, os ventos alísios sopram de leste para oeste, empurrando águas quentes para a Ásia. Quando ocorrem fortes rajadas de vento no sentido oposto, elas enfraquecem esse padrão, deslocam as águas quentes para o centro e leste do Pacífico e favorecem o desenvolvimento do El Niño. Modelos indicam que um episódio de grande intensidade deve ocorrer nos próximos dias, aumentando ainda mais o risco de um evento extremo.
Os cientistas notam que o El Niño pode se instalar mais cedo que o habitual, possivelmente entre o final do outono e o início do inverno no Hemisfério Sul. Isso significa que os efeitos climáticos podem se manifestar com força já nos próximos meses, com pico previsto para o segundo semestre. O fenômeno libera grande quantidade de calor do oceano para a atmosfera, o que tende a elevar a temperatura média global. Há quem estime que 2027 tenha alta probabilidade de ser o ano mais quente já registrado.
No Brasil, os impactos serão sentidos de forma diferente em cada região. No Sul, o El Niño costuma trazer mais chuva, com risco aumentado de temporais, enchentes e cheias de rios. No Norte e Nordeste, a tendência é de tempo mais seco e quente, favorecendo queimadas na Amazônia e problemas de abastecimento de água no Nordeste. Temperaturas acima da média devem ocorrer em grande parte do país, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste.
Embora as projeções sejam consistentes e mostrem alta confiança, meteorologistas lembram que o clima é complexo e pode haver ajustes. Ainda assim, a combinação de calor oceânico acumulado, ventos favoráveis e o histórico dos modelos eleva o alerta para um evento de magnitude excepcional. O planeta já vive com oceanos mais quentes devido às mudanças climáticas, o que pode potencializar os efeitos desse Super El Niño.
Fica o alerta: um fenômeno dessa força pode alterar padrões de chuva, seca e temperatura em vários continentes, afetando agricultura, disponibilidade de água e a ocorrência de eventos extremos. Acompanhar as atualizações será fundamental nos próximos meses para que governos, produtores e a sociedade possam se preparar.
Risco de um super El Niño histórico em 2026#ElNiño
– Terra Raraن (@Terra_Rara) May 23, 2026
O mundo pode estar caminhando para um dos eventos climáticos mais intensos dos últimos 150 anos
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Publicado em 23/05/2026 14h14
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