
doi.org/10.1093/mnras/sty1122
Credibilidade: 989
#buraco negro
O Telescópio Espacial James Webb, uma colaboração entre NASA, ESA e Agência Espacial Canadense, revelou uma descoberta surpreendente sobre o Universo primordial
Usando seu poder excepcional de imagem e espectroscopia, os astrônomos mapearam o movimento e a composição do gás que orbita um buraco negro no centro de uma galáxia minúscula chamada Abell2744-QSO1, localizada a mais de 13 bilhões de anos-luz de distância. Os resultados indicam que esse buraco negro, com cerca de 50 milhões de massas solares, existia antes da própria galáxia que o abriga, possivelmente tendo se formado nos primeiros instantes após o Big Bang.
Por muito tempo, os cientistas acreditavam que as galáxias se formavam primeiro. Estrelas massivas dentro delas esgotavam seu combustível, colapsavam e geravam buracos negros menores, que depois cresciam ao devorar material ao redor e se fundir com outros. No entanto, era difícil explicar como buracos negros supermassivos – com milhões ou bilhões de vezes a massa do Sol – puderam crescer tão rapidamente no Universo jovem. Agora, as observações do Webb trazem evidências claras de que alguns desses objetos gigantes nasceram já enormes, sem depender de uma galáxia grande para se alimentar.
Essa galáxia, conhecida como um “Little Red Dot? (Pequeno Ponto Vermelho), surgiu apenas 700 milhões de anos após o Big Bang. Apesar de ter apenas 1.300 anos-luz de diâmetro, ela é mais fácil de estudar graças ao efeito de lente gravitacional causado pelo aglomerado de galáxias Abell 2744, que a amplia e a projeta em três imagens diferentes no céu. Estudos anteriores já sugeriam a presença de um buraco negro muito massivo, mas as medições eram indiretas e baseadas em suposições.
A equipe, liderada por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Florença, utilizou o instrumento NIRSpec do Webb para mapear o gás de hidrogênio ao redor do buraco negro. Eles observaram que o gás se move em órbitas keplerianas perfeitas, como os planetas ao redor do Sol, o que indica que quase toda a massa da galáxia está concentrada no centro. O buraco negro representa impressionantes dois terços da massa total do sistema – uma proporção milhares de vezes maior do que a encontrada em galáxias próximas. Além disso, o gás é extremamente puro, composto quase só de hidrogênio e hélio, com pouquíssimos elementos pesados, o que mostra que ainda havia poucas estrelas na galáxia.
Roberto Maiolino, da Universidade de Cambridge, destacou que se trata de uma mudança de paradigma na compreensão de como os buracos negros se formam e crescem. Ignas Juod”balis, estudante de doutorado envolvido no trabalho, explicou que esse buraco negro parece ter surgido antes dos processos estelares, o que apoia teorias sobre “sementes pesadas? formadas diretamente no Big Bang ou pelo colapso de nuvens gigantes de gás. Isso resolve parte do enigma de como esses monstros cósmicos puderam existir tão cedo no Universo.
Essa descoberta sugere que objetos como QSO1 não eram raros no Universo primordial. Os pesquisadores agora analisam outros “Little Red Dots? para confirmar se muitos buracos negros supermassivos realmente antecederam as galáxias que hoje os hospedam. O resultado reforça a importância do James Webb, que continua a revelar segredos do cosmos distante e a questionar nossas ideias sobre a evolução do Universo.
Essa observação representa um avanço histórico: é a primeira medição direta da massa de um buraco negro no Universo jovem, validando medições anteriores e abrindo novas portas para entender o nascimento das estruturas cósmicas. Com o Webb, a humanidade avança cada vez mais na busca por respostas sobre como o Universo se organizou após o Big Bang, mostrando que buracos negros podem ter sido os primeiros a se formar, atuando como sementes para as galáxias que vemos hoje.
Publicado em 02/06/2026 19h14
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