
doi.org/10.3847/2041-8213/ae4c88
Credibilidade: 959
#Pontos vermelhos misteriosos
O Telescópio Espacial James Webb (James Webb), da NASA, revelou, logo no início de suas observações científicas, uma classe intrigante de objetos no Universo primordial
São centenas de pequenos pontos vermelhos compactos, localizados a distâncias enormes – cerca de 12 bilhões de anos-luz ou mais da Terra “, conhecidos como “little red dots” (LRDs), ou simplesmente pontos vermelhos. Esses objetos intrigam os astrônomos porque não se encaixam facilmente nas explicações tradicionais.
Muitos cientistas acreditam que esses pontos vermelhos sejam buracos negros supermassivos ainda em fase inicial de crescimento, envoltos por nuvens densas de gás. Essa “cortina” de gás esconderia os sinais habituais que usamos para identificar buracos negros, como a luz ultravioleta brilhante e os raios X emitidos pelo material que cai neles. Em vez disso, o que observamos é uma aparência avermelhada e compacta, semelhante à de uma estrela. Por isso, alguns pesquisadores chamam essa hipótese de cenário das “estrelas de buracos negros”.
Agora, dados do Observatório de Raios X Chandra, também da NASA, trouxeram uma pista importante que pode ajudar a resolver esse enigma. Os astrônomos identificaram um objeto especial, apelidado de “ponto de raios X” (oficialmente 3DHST-AEGIS-12014), situado a aproximadamente 11,8 bilhões de anos-luz da Terra. Ele compartilha quase todas as características dos pontos vermelhos típicos – é pequeno, vermelho e muito distante “, mas, ao contrário dos outros, emite raios X detectáveis.
Essa descoberta funciona como uma ponte entre as “estrelas de buracos negros” e os buracos negros supermassivos que crescem de forma comum. Raphael Hviding, do Instituto Max Planck para Astronomia, na Alemanha, autor principal do estudo, explica: “Os astrônomos tentam entender o que são os pontos vermelhos há vários anos. Esse único objeto de raios X pode ser o que nos permite conectar todos os pontos.” O achado foi possível comparando as novas imagens do Webb com um levantamento profundo feito anteriormente pelo Chandra.
Os pesquisadores sugerem que esse ponto de raios X representa uma fase de transição. À medida que o buraco negro consome o gás ao seu redor, surgem aberturas nas nuvens densas. Isso permite que parte dos raios X escape e seja captada pelo Chandra. Com o tempo, todo o gás seria consumido, e a “estrela de buraco negro” desapareceria, dando lugar a um buraco negro supermassivo típico. Há ainda indícios de variação na intensidade dos raios X, o que reforça a ideia de que o objeto está parcialmente obscurecido por nuvens de gás em rotação.
Hanpu Liu, da Universidade de Princeton, destaca a importância: “Se confirmarmos que se trata de um ponto vermelho em transição, não só seria o primeiro do tipo, como poderíamos estar vendo o coração de um desses objetos pela primeira vez. Seria também a evidência mais forte de que o crescimento de buracos negros supermassivos está no centro de muitos, se não de todos, os pontos vermelhos.”
Existe ainda uma possibilidade alternativa: o objeto poderia ser um buraco negro supermassivo comum, mas envolto em um tipo exótico de poeira nunca visto antes. Observações futuras com diferentes telescópios devem ajudar a esclarecer qual é a explicação correta.
Essa colaboração entre o James Webb e o Chandra mostra o poder de unir diferentes observatórios. Como lembra Andy Goulding, também de Princeton: “O ponto de raios X estava guardado em nossos dados do Chandra há mais de dez anos, mas não sabíamos o quanto era especial até o Webb observar a mesma região.” O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e representa um avanço significativo na compreensão de como os gigantescos buracos negros se formaram e cresceram nos primeiros bilhões de anos do Universo.
Essa descoberta não só ilumina o mistério dos pontos vermelhos, mas também nos ajuda a montar melhor o quebra-cabeça da evolução cósmica, mostrando que o Universo jovem era mais dinâmico e surpreendente do que imaginávamos.
Pontos vermelhos misteriosos do telescópio James Webb podem ser 'Estrelas de buracos negros'#Pontosvermelhosmisteriosos
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) April 30, 2026
O Telescópio Espacial James Webb revelou, logo no início de suas observações científicas, uma classe intrigante de objetos no Universo primordial
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Publicado em 30/04/2026 20h09
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