
O robô Curiosity, da NASA, capturou imagens impressionantes de uma região de Marte coberta por estruturas rochosas que lembram, de forma surpreendente, escamas gigantes de répteis fossilizados
Essas formações, apelidadas de “escamas de dragão” por quem as observa, não têm nada a ver com criaturas alienígenas ou monstros antigos. Na verdade, elas são resultado de processos geológicos que provavelmente envolvem água do passado remoto do planeta vermelho.
Enquanto seguia seu caminho em direção a Antofagasta, uma cratera de impacto relativamente jovem com cerca de 10 metros de diâmetro localizada nas encostas do Monte Sharp (também conhecido como Aeolis Mons), dentro da cratera maior de Gale, o rover registrou dezenas de rochas cobertas por padrões poligonais. Essas pedras formam aglomerados densos que se estendem por metros e metros no solo marciano. As fotografias, tiradas entre os dias 7 e 13 de abril (Sol 4859 e Sol 4865 no calendário marciano), mostram texturas em forma de favo de mel, com milhares de polígonos entrelaçados, criando um visual que muitos comparam a escamas de crocodilos ou até de dragões imaginários.
A cientista planetária Abigail Fraeman, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, explicou que a equipe já havia visto rochas com padrões poligonais semelhantes em outras partes de Marte, mas nunca em uma concentração tão abundante e dramática. “Muitas das rochas que passamos têm essas texturas incríveis, com milhares de polígonos em forma de favo cruzando sua superfície”, disse ela em um relato da missão. Essa abundância chamou a atenção dos pesquisadores, que agora analisam os dados coletados para entender melhor a origem dessas formações.
Polígonos parecidos já apareceram antes em Marte, tanto em escalas menores quanto maiores. Em casos anteriores, eles foram associados ao ressecamento de lama úmida ou ao movimento de cristais de gelo sob a superfície. No entanto, ainda é cedo para afirmar com certeza como essas “escamas? específicas se formaram. O Curiosity reuniu muitas imagens e dados químicos que ajudarão a diferenciar entre as diversas hipóteses possíveis. O mais provável é que a água antiga tenha desempenhado um papel importante, pois Marte já teve lagos, rios e um ambiente mais úmido bilhões de anos atrás.
Essa descoberta se encaixa em uma série de “impostores animais? que o rover e outras missões marcianas já encontraram. Ao longo dos anos, o Curiosity registrou formações que pareciam teias de aranha, esferas semelhantes a ovos, estruturas coralinas e até uma “tartaruga? espiando de uma rocha. Outras naves orbitando Marte capturaram crateras em forma de borboleta ou até algo parecido com um cachorro enterrado. A maioria desses casos se explica pela pareidolia, o fenômeno em que o cérebro humano identifica padrões familiares, como rostos ou animais, em imagens aleatórias ou formações naturais.
Antes de chegar a Antofagasta, o robô passou quase um ano estudando cristas rochosas chamadas “boxwork? no Monte Sharp, que também exibem padrões intrincados e estruturas curiosas. Essas observações ajudam os cientistas a montar o quebra-cabeça da história geológica de Marte, revelando como o planeta mudou ao longo do tempo.
As imagens em preto e branco foram liberadas pela NASA no dia 14 de abril, e uma versão colorida processada pelo engenheiro Kevin M. Gill ganhou destaque nas redes. Elas mostram claramente como as rochas poligonais dominam o terreno ao redor, criando um tapete de texturas que fascina tanto o público quanto os especialistas.
Embora não sejam realmente escamas de dragão, essas formações oferecem pistas valiosas sobre o passado molhado de Marte. Cada nova imagem do Curiosity nos aproxima de entender se o planeta já teve condições favoráveis à vida microbiana e como seu clima evoluiu para o deserto frio e seco que vemos hoje. A missão continua avançando, coletando dados que podem responder perguntas fundamentais sobre a história do nosso vizinho planetário.
Essa surpresa geológica reforça o quanto Marte ainda guarda mistérios e como ferramentas como o Curiosity são essenciais para decifrá-los, imagem por imagem, passo a passo.
Publicado em 25/04/2026 20h51
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