Matéria escura pode ter duas formas diferentes

Na constelação da Ursa Maior, a Galáxia do Cata-vento (Messier 101) é cercada por companheiras menores, incluindo a galáxia anã irregular NGC 5477. Observações do Hubble revelam regiões de formação estelar ativa dentro da NGC 5477, além de capturar galáxias distantes brilhando através dela, destacando o vasto vazio dentro das estruturas galácticas. Crédito: ESA/Hubble e NASA

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Imagine que a matéria escura, essa substância invisível que compõe a maior parte da massa do Universo, não seja feita de um único tipo de partícula, como muitos cientistas pensavam

Uma nova hipótese ousada sugere que ela pode existir em duas formas distintas. Isso ajudaria a resolver um enigma cósmico que intriga os astrônomos há anos.

O problema é o seguinte: telescópios como o Fermi detectaram um excesso de raios gama (um tipo de radiação) vindo do centro da Via Láctea. Esse sinal poderia ser produzido quando partículas de matéria escura se encontram e se aniquilam, liberando energia. No entanto, nas galáxias anãs ? que são ricas em matéria escura e têm pouco “ruído? de outras fontes “, esse mesmo excesso de raios gama simplesmente não aparece. Se a matéria escura fosse igual em todos os lugares, o sinal deveria ser visto em toda parte. Mas não é.

De acordo com os pesquisadores, entre eles Gordan Krnjaic, do Fermilab, a explicação pode estar na própria natureza da matéria escura. Em vez de uma única partícula, ela poderia ser formada por duas partículas diferentes. Essas duas só conseguem se aniquilar quando estão presentes em quantidades equilibradas e conseguem “se encontrar”.

Na Via Láctea, especialmente no centro galáctico, as proporções das duas formas estariam mais balanceadas. Por isso, as aniquilações acontecem com mais frequência e produzem o excesso de raios gama observado. Já nas galáxias anãs, uma das formas pode dominar quase completamente, deixando a outra em menor quantidade. Sem o encontro entre as duas, as aniquilações ficam muito raras e o sinal desaparece.

O interessante é que essa ideia não exige mudar as leis básicas da física. A probabilidade de aniquilação entre as partículas continua a mesma quando elas se encontram. O que muda é o ambiente: depende da “mistura? local das duas componentes. Isso cria previsões diferentes para cada tipo de galáxia, explicando por que vemos o sinal em um lugar e não em outro.

Essa hipótese, publicada recentemente na revista Journal of Cosmology and Astroparticle Physics, abre uma nova forma de olhar para a matéria escura. Ela não invalida as observações já feitas, mas oferece uma explicação elegante para uma contradição que parecia complicada.

Observações futuras com o telescópio Fermi e outros instrumentos podem testar essa ideia: se o sinal continuar ausente nas galáxias anãs ou aparecer em novos lugares, os cientistas terão mais pistas para confirmar ou ajustar o modelo. Enquanto isso, o mistério da matéria escura fica ainda mais fascinante ? e talvez um pouco mais perto de ser resolvido.


Publicado em 16/04/2026 13h22


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