Um instrumento de energia escura cria o mapa 3d mais completo do universo já feito: ‘É uma grande mudança de paradigma’

Pesquisadores usam o enorme mapa 3D do DESI para estudar a energia escura. A Terra está no centro deste mapa, e cada ponto representa uma galáxia. (Crédito da imagem: Colaboração DESI e KPNO/NOIRLab/NSF/AURA/R. Proctor)

doi.org/10.1051/0004-6361/202557876
Credibilidade: 989
#DESI 

Um instrumento projetado para estudar a energia escura concluiu sua missão de cinco anos e produziu o mapa tridimensional mais detalhado e abrangente do universo que já existiu

Esse avanço representa um marco na astronomia e pode transformar nossa compreensão sobre como o cosmos se expande.

O Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), instalado no telescópio de 4 metros Nicholas U. Mayall, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona, é capaz de mapear a posição de milhões de galáxias por mês. Ao registrar a luz dessas galáxias distantes – que funcionam como “postes de luz? cósmicos “, os cientistas medem com precisão como o universo vem se expandindo ao longo dos últimos 11 bilhões de anos.

Com os dados completos da missão, o DESI criou um mapa que inclui dezenas de milhões de galáxias e quasares, superando em muito todos os levantamentos anteriores. É como se tivéssemos uma tomografia gigante do cosmos, revelando não apenas onde as galáxias estão, mas também como elas se agrupam e como a expansão do espaço mudou com o tempo.

Além da estrutura em grande escala – com filamentos e aglomerados de galáxias formando uma teia cósmica “, o mapa destaca padrões sutis deixados desde o universo primitivo, chamados de Oscilações Acústicas Bariônicas (BAO). Esses “ecos? do Big Bang servem como régua cósmica, permitindo medir distâncias com altíssima precisão.

Os resultados iniciais já indicam que a energia escura, a força misteriosa que acelera a expansão do universo, pode não ser constante como se pensava. Há indícios de que sua influência esteja enfraquecendo com o tempo. Se confirmado, isso seria uma verdadeira revolução, exigindo uma revisão do modelo cosmológico padrão (Lambda-CDM) que usamos há décadas.

Cientistas envolvidos no projeto destacam a importância dessa conquista. Um deles descreveu o momento como “uma grande mudança de paradigma”, porque o DESI não só mapeia o universo com detalhes inéditos, como também oferece novas pistas sobre as forças fundamentais que moldam o destino do cosmos.

Com esse mapa, a comunidade científica ganha uma ferramenta poderosa para responder perguntas antigas: o universo vai se expandir para sempre? A energia escura é fixa ou variável? E o que isso significa para o futuro de tudo o que existe?

O DESI continua sendo um exemplo de como a tecnologia e a colaboração internacional podem revelar segredos que, até pouco tempo atrás, pareciam inalcançáveis. Estamos vivendo uma era emocionante da cosmologia, em que o universo se revela cada vez mais surpreendente.


Publicado em 16/04/2026 05h34


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