
doi.org/10.1038/s41550-026-02816-7
Credibilidade: 989
#Estrela
Astrônomos identificaram a estrela mais pobre em elementos pesados já observada, um verdadeiro fóssil cósmico que nos permite olhar para os primeiros capítulos do Universo
Chamada de SDSS J0715-7334, ela faz parte da segunda geração de estrelas, formada poucos bilhões de anos após o Big Bang, quando o cosmos ainda era muito jovem.
Essa estrela é composta quase inteiramente de hidrogênio e hélio, com uma quantidade extremamente baixa de “metais? – termo que os astrônomos usam para todos os elementos mais pesados que o hélio, criados por estrelas ao longo do tempo. Ela possui menos de 0,005% do conteúdo de metais do Sol, apenas metade do que tinha o recordista anterior, e níveis especialmente baixos de ferro e carbono. Na prática, é 40 vezes mais pobre em ferro do que a estrela mais pobre em ferro conhecida até então.
Localizada a cerca de 80 mil anos-luz da Terra, a estrela provavelmente nasceu fora da Via Láctea, perto da Grande Nuvem de Magalhães, e foi atraída para nossa galáxia mais tarde. Por ter se formado a partir de gás primordial quase puro, ela preserva as condições químicas do Universo antigo, antes que as primeiras estrelas explodissem e espalhassem elementos pesados pelo espaço.
A descoberta foi possível graças ao Sloan Digital Sky Survey-V (SDSS-V), um grande projeto que mapeia milhões de espectros de estrelas em todo o céu. Os dados iniciais vieram de telescópios no Chile e nos Estados Unidos, e as observações de confirmação foram feitas com os telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile. Usando um espectrógrafo de alta resolução, os pesquisadores analisaram a luz da estrela com grande precisão. Informações do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, ajudaram a determinar sua posição e origem.
O estudo, publicado na revista Nature Astronomy em 3 de abril de 2026, foi liderado pelo astrônomo Alexander Ji, da Universidade de Chicago, com participação de Juna Kollmeier e de estudantes de graduação que viveram a experiência completa: desde a coleta de dados até a análise dos resultados.
Essas estrelas “prístinas? funcionam como janelas para o amanhecer do Universo. Elas nos ajudam a testar teorias sobre como as primeiras estrelas se formaram, como os elementos químicos foram produzidos e enriquecidos ao longo do tempo, e como ocorreu a nucleossíntese logo após o Big Bang. Como não conseguimos observar diretamente as estrelas mais antigas, esses sobreviventes raros são nossos melhores mensageiros do passado cósmico.
Encontrar uma estrela tão pura é como descobrir uma agulha no palheiro estelar. Projetos como o SDSS-V mostram o poder de grandes levantamentos para revelar objetos excepcionais e envolvem a nova geração de cientistas no processo real de descoberta. Essa estrela antiga, imigrante cósmica agora integrada à Via Láctea, continua nos contando a história de como o Universo passou de um lugar simples, feito basicamente de hidrogênio e hélio, para o rico e diversificado cosmos que vemos hoje.
Astrônomos descobrem a estrela mais pura já encontrada#Estrela
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) April 8, 2026
Astrônomos identificaram a estrela mais pobre em elementos pesados já observada, um verdadeiro fóssil cósmico que nos permite olhar para os primeiros capítulos do Universo pic.twitter.com/ImOpGQqVAK
Publicado em 08/04/2026 09h28
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