
doi.org/10.3847/1538-3881/ae394b
Credibilidade: 989
#Tecnoassinaturas
Há décadas, os cientistas vasculham o céu em busca de sinais de tecnologia extraterrestre, usando ondas de rádio, flashes de luz e emissões infravermelhas
Apesar de todo esse esforço, nenhum sinal confirmado foi encontrado. Um novo estudo da EPFL, na Suíça, propõe uma explicação intrigante: é possível que mensagens de civilizações alienígenas já tenham passado pela Terra sem que percebêssemos.
O problema não é necessariamente que os sinais não existam ou não tenham chegado até nós. O que pode estar acontecendo é que eles simplesmente escaparam da nossa capacidade de detecção. Um “tecnosinal? – qualquer evidência observável de tecnologia avançada, como transmissões de rádio artificiais, pulsos de laser ou calor excessivo de estruturas gigantes – precisa cumprir duas condições para ser descoberto: primeiro, ele tem que chegar à Terra; segundo, nossos instrumentos precisam ser capazes de identificá-lo.
Muitas vezes, mesmo quando um sinal chega, ele pode ser fraco demais, durar apenas alguns instantes, estar em uma frequência que não estamos monitorando ou se perder no ruído de fundo do espaço. Isso significa que, ao longo dos últimos 60 anos de buscas do SETI (busca por inteligência extraterrestre), é bem plausível que vários sinais tenham cruzado nossa região do espaço sem serem notados.
O físico teórico Claudio Grimaldi, da EPFL, analisou essa possibilidade usando modelos estatísticos. Ele calculou quantos sinais precisariam ter passado pela Terra desde 1960 para que tivéssemos uma chance razoável de detectar um agora, e de onde esses sinais provavelmente viriam. O estudo considera tanto sinais que se espalham em todas as direções (como o calor desperdiçado de megastruturas) quanto feixes mais direcionados, como lasers ou faróis interestelares.
Os resultados são reveladores e um pouco desanimadores para quem esperava uma descoberta rápida. Para termos uma boa probabilidade de detectar um tecnosinal vindo de distâncias relativamente próximas – algumas centenas ou poucos milhares de anos-luz “, seria necessário um número extremamente alto de sinais já terem passado por nós sem serem vistos. Em muitos cenários simulados, esse número chega sendo irrealista, maior do que a quantidade de planetas habitáveis que existiriam nessa região da Via Láctea.
A detecção se torna mais realista apenas quando ampliamos o olhar para distâncias muito maiores. Se os sinais durarem muito tempo e estiverem espalhados pela galáxia, então mensagens vindas de vários milhares de anos-luz de distância poderiam ser captadas por nós. Mesmo assim, o número esperado de sinais detectáveis em qualquer momento continua sendo muito pequeno.
Essa visão muda a estratégia das buscas. Em vez de esperar por sinais fortes e próximos, o futuro do SETI provavelmente vai depender de observações contínuas, em larga escala e de longo prazo, cobrindo vastas regiões da Via Láctea. A ausência de detecções até agora não significa que não haja nada lá fora – pode simplesmente indicar que os sinais são raros, distantes ou que duram muito tempo.
Em resumo, mensagens alienígenas podem realmente ter chegado à Terra. O desafio está em aperfeiçoar nossa capacidade de escuta e ter paciência para buscar mais longe e por mais tempo. A descoberta, se acontecer, pode exigir uma abordagem mais persistente e abrangente do que imaginávamos.
Mensagens alienígenas podem ter chegado à terra – por que ainda não as detectamos?#Tecnoassinaturas
– Terra Raraن (@Terra_Rara) April 7, 2026
Há décadas, os cientistas vasculham o céu em busca de sinais de tecnologia extraterrestre, usando ondas de rádio, flashes de luz e emissões infravermelhas.
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Publicado em 07/04/2026 02h22
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