Novo modelo conecta pico de carbono-13 ao grande evento de oxidação

Stacey Edmonsond, candidata a doutorado na Universidade de Victoria (UVic), examina um afloramento na Califórnia que é semelhante, porém muito mais jovem, às rochas descritas em seu recente artigo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences). Crédito: Kai Tawil-Morsink

doi.org/10.1073/pnas.2512767123
Credibilidade: 989
#oxidação 

Pesquisadores desenvolveram um novo modelo estatístico que esclarece um mistério importante da história antiga da Terra

Eles mostraram que um aumento significativo na proporção de carbono-13 em relação ao carbono-12 nos oceanos antigos, conhecido como Excursão Lomagundi-Jatuli, foi menor do que se pensava anteriormente e ocorreu por volta de 2,45 bilhões de anos atrás.

Esse período coincide exatamente com o Grande Evento de Oxidação, quando a quantidade de oxigênio na atmosfera terrestre subiu de praticamente zero para níveis capazes de sustentar formas de vida mais complexas. Na mesma época, o planeta passou por glaciações globais intensas.

Por muito tempo, cientistas observaram nas rochas carbonáticas antigas, formadas no fundo dos mares pré-históricos, uma anomalia: uma quantidade maior de carbono-13 do que o esperado. Isso indicava que algo alterou drasticamente o ciclo do carbono na Terra. No entanto, havia incerteza sobre o tamanho real desse pico, seu momento exato e como ele se relacionava com o surgimento do oxigênio atmosférico.

O novo modelo, criado com poucos pressupostos e analisando dados globais de várias fontes, revela que o aumento na proporção de carbono-13 foi mais modesto e aconteceu mais cedo do que se imaginava. As mudanças no ciclo do carbono, incluindo maior sepultamento de carbonatos ricos em carbono-13, começaram ao mesmo tempo que o oxigênio passou a se acumular na atmosfera e que o planeta enfrentou eras glaciais em escala mundial.

Antes desse evento, organismos fotossintetizantes unicelulares já produziam oxigênio e matéria orgânica, mas reações químicas, como as causadas por vulcões e intemperismo de rochas, consumiam esse oxigênio rapidamente, impedindo seu acúmulo. Com o tempo, o aumento na atividade biológica e alterações no ciclo do carbono favoreceram o sepultamento de carbono orgânico, permitindo que o oxigênio escapasse para a atmosfera e se acumulasse.

Essa descoberta melhora a compreensão de como o ciclo do carbono e o aumento do oxigênio estiveram interligados no passado distante da Terra. Ela mostra que grandes transformações biogeoquímicas ocorreram simultaneamente, preparando o ambiente para a evolução de vida mais complexa e multicelular. O estudo destaca a raridade de transições planetárias como essa no universo e ajuda a desvendar um dos capítulos mais importantes da história geológica e biológica do nosso planeta.

A pesquisa foi liderada por Stacey Edmonsond, estudante de doutorado na Universidade de Victoria, no Canadá, em colaboração com o professor Blake Dyer, e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.


Publicado em 23/03/2026 01h30


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