O mistério do asteroide de metal

Uma cratera gigante pode revelar se Psyche é o núcleo de um planeta perdido ou uma fusão cósmica. Crédito: NASA

doi.org/10.1029/2025JE009231
Credibilidade: 989
#Psyche 

O asteroide 16 Psyche, localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter, intriga os cientistas há mais de 200 anos

Com cerca de 226 quilômetros de diâmetro, ele é o maior objeto rico em metal conhecido nessa região, algo raro, já que menos de 10% dos asteroides do cinturão apresentam tanta quantidade de metal.

Muitos pesquisadores acreditam que Psyche pode ser o núcleo exposto de um planeta primitivo que foi destruído por violentos impactos no início do Sistema Solar, perdendo suas camadas externas rochosas. Outras hipóteses sugerem que ele sempre foi muito rico em metal desde o começo ou que se formou a partir de colisões repetidas que misturaram rocha e metal de maneira uniforme. Cada uma dessas possibilidades conta uma história diferente sobre como os planetas rochosos, como a Terra, se formaram.

Para ajudar a desvendar esse enigma, cientistas da Universidade do Arizona realizaram simulações detalhadas da formação de uma grande cratera próxima ao polo norte do asteroide. Essa cratera, com aproximadamente 48 quilômetros de largura e 5 quilômetros de profundidade, pode revelar pistas sobre o que existe no interior de Psyche. As simulações testaram diferentes composições internas – uma com núcleo metálico coberto por uma fina camada rochosa e outra com metal e rocha bem misturados – e mostraram que a porosidade, ou seja, a quantidade de espaços vazios dentro do asteroide, influencia muito o formato da cratera e a maneira como o material é ejetado durante um impacto.

Se houver bastante porosidade, o asteroide absorve melhor a energia da colisão, criando crateras mais profundas e íngremes, com menos detritos espalhados pela superfície. Esses detalhes, combinados com observações reais, vão ajudar a distinguir qual modelo interno se encaixa melhor na realidade.

A missão Psyche da NASA, lançada em 2023, chegará ao asteroide em 2029 e passará cerca de dois anos orbitando-o. A espaçonave está equipada com instrumentos para mapear a superfície, medir o campo gravitacional e magnético e analisar a composição química. Junto com as previsões das simulações, esses dados devem finalmente esclarecer se Psyche é realmente um núcleo planetário exposto ou um corpo mais complexo e misto.

Essa exploração é comparada pelos cientistas a investigar uma pizzaria abandonada: mesmo sem ver os cozinheiros, os fornos, restos de massa e coberturas revelam como as pizzas eram feitas. Da mesma forma, estudar Psyche pode nos dar uma janela única para entender processos que aconteceram bilhões de anos atrás na formação dos planetas – algo que não conseguimos observar diretamente nos núcleos da Terra, de Marte ou de Vênus. Quando a espaçonave chegar, equipes de geólogos, geoquímicos e modeladores trabalharão juntos para interpretar tudo o que virem, e esse trabalho preparatório já está dando uma grande vantagem para desvendar os segredos desse mundo metálico.


Publicado em 19/03/2026 23h45


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