
doi.org/10.1038/s41467-025-66219-4
Credibilidade: 589
#Pulso climático
Cientistas descobriram, em sedimentos antigos da China, um ciclo climático surpreendente que se repetia a cada cerca de 5 mil anos durante o período Cretáceo, há aproximadamente 83 milhões de anos
Naquela época, a Terra vivia em um estado de “estufa? extremo: o planeta era muito mais quente que hoje, com níveis elevados de dióxido de carbono na atmosfera (por volta de 1.000 ppm) e praticamente sem calotas polares de gelo.
Analisando núcleos de rochas extraídos da Bacia de Songliao, no nordeste chinês, os pesquisadores observaram alternâncias claras entre períodos úmidos e secos que se repetiam regularmente. Essas mudanças seguiam um ritmo de 4.000 a 5.000 anos, algo que não era esperado em um mundo sem grandes geleiras, já que oscilações rápidas de clima costumam estar ligadas ao avanço e recuo do gelo.
A explicação está no movimento lento de oscilação do eixo da Terra, chamado precessão. Esse movimento, que completa um ciclo completo em cerca de 26 mil anos, altera a forma como a luz solar chega às regiões tropicais ao longo do ano. No Cretáceo, isso criava uma espécie de “pulsação? quádrupla na insolação tropical: dois picos intensos perto dos equinócios e dois mínimos perto dos solstícios. Essa distribuição desigual de energia solar influenciava diretamente os padrões de chuva e seca, gerando ciclos de umidade e aridez mesmo sem a presença de gelo para amplificar as mudanças.
O estudo mostra que variações sutis na radiação solar, causadas por fatores astronômicos, eram capazes de provocar oscilações climáticas rápidas e intensas em um planeta quente. Além disso, a força desses ciclos de 5 mil anos variava ao longo do tempo, ficando mais ou menos pronunciada em ritmos ligados a outros movimentos orbitais da Terra, como a excentricidade da órbita (que muda a cada cerca de 100 mil anos).
Essa descoberta é importante porque o Cretáceo Tardio pode servir como um espelho para o futuro. Com o aquecimento global atual levando o planeta a níveis de CO? semelhantes aos daquela época, entender como o sistema climático se comportava em um mundo de estufa ajuda a prever possíveis variações rápidas. Como a configuração orbital da Terra muda muito lentamente e permanecerá estável por bilhões de anos, esses pulsos climáticos de alta frequência poderiam reaparecer em um planeta mais quente – e talvez de forma mais previsível do que imaginávamos antes.
Pulso climático de 5 mil anos no mundo estufa do cretáceo#Pulsoclimático
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) March 16, 2026
Cientistas descobriram, em sedimentos antigos da China, um ciclo climático surpreendente que se repetia a cada cerca de 5 mil anos durante o período Cretáceo, há aproximadamente 83 milhões de anos: pic.twitter.com/cKowwyGuvy
Publicado em 16/03/2026 01h16
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