
doi.org/10.3847/2041-8213/ae1d61
Credibilidade: 989
#Supernova
Astrônomos descobriram uma supernova extremamente incomum cuja luz viajou mais de 10 bilhões de anos até chegar à Terra e pode ajudar a desvendar um dos maiores enigmas da cosmologia: a energia escura, a força misteriosa responsável por fazer o universo expandir cada vez mais rápido
Essa explosão estelar, batizada de SN 2025wny, é um evento superluminoso – ou seja, incrivelmente brilhante, muito mais do que uma supernova comum – e aconteceu quando o universo tinha apenas cerca de 3,5 bilhões de anos. O que a torna verdadeiramente especial, porém, é o fenômeno da lente gravitacional: uma galáxia massiva situada exatamente entre nós e a supernova age como uma lente natural, curvando e ampliando sua luz de acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein. Por causa disso, a luz da mesma explosão chega à Terra por caminhos diferentes, criando múltiplas imagens da supernova visíveis ao mesmo tempo, mas em momentos distintos de sua evolução.
Essas diferenças de trajeto geram atrasos no tempo de chegada da luz – às vezes de dias ou semanas entre uma imagem e outra. Esses atrasos dependem diretamente da taxa de expansão do universo, conhecida como constante de Hubble. Medindo com precisão esses intervalos, os cientistas conseguem calcular quão rápido o cosmos está se expandindo e, assim, entender melhor o papel da energia escura nessa aceleração.
A descoberta começou com o Zwicky Transient Facility, na Califórnia, que detectou o brilho inicial, mas não conseguiu separar as imagens múltiplas. Foi o Telescópio Liverpool, em La Palma, que confirmou o efeito de lente ao observar as imagens distintas. Observações complementares vieram de instrumentos poderosos como os Telescópios Keck, no Havaí, o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial James Webb, que permitiram estudar o evento em detalhes mesmo a uma distância tão grande.
Essa supernova é rara porque combina dois fatores excepcionais: seu brilho extremo natural e a amplificação extra pela lente gravitacional, o que a tornou detectável por telescópios de porte médio apesar da enorme distância. Os pesquisadores destacam que nunca haviam encontrado algo exatamente assim antes.
O grande potencial científico está em resolver a “tensão de Hubble”, um problema atual na cosmologia: medições da expansão do universo feitas a partir do fundo cósmico de micro-ondas (o eco do Big Bang) dão um valor diferente das obtidas com supernovas próximas e outras galáxias. Observações como essa, em regiões muito distantes e com atrasos temporais precisos, podem indicar qual medida está mais correta e revelar se a energia escura tem propriedades constantes ou se varia ao longo do tempo cósmico.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade John Moores de Liverpool, Caltech, Universidade de Estocolmo e outras instituições, foi publicada em 5 de dezembro de 2025 na revista The Astrophysical Journal Letters. Os autores acreditam que eventos semelhantes, quando encontrados no futuro, vão fornecer dados valiosos para entender a força que domina cerca de 68% do universo e impulsiona sua expansão acelerada.
Supernova rara pode revelar o segredo da energia escura#Supernova
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) March 13, 2026
Astrônomos descobriram uma supernova extremamente incomum cuja luz viajou mais de 10 bilhões de anos até chegar à Terra e pode ajudar a desvendar um dos maiores enigmas da cosmologia: a energia escura pic.twitter.com/ANeUZs4jsg
Publicado em 12/03/2026 22h28
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