
doi.org/10.1038/s41550-025-02750-0
Credibilidade: 989
#moléculas orgânicas
Astrônomos usando o poderoso Telescópio Espacial James Webb (James Webb) acabam de descobrir uma quantidade impressionante de moléculas orgânicas pequenas em um lugar muito extremo do universo: o núcleo profundamente escondido de uma galáxia próxima, chamada IRAS 07251″0248
Essa galáxia é do tipo ultraluminosa infravermelha, o que significa que ela brilha intensamente na luz infravermelha por causa de enormes quantidades de gás e poeira que envolvem seu centro, escondendo-o da vista da maioria dos telescópios comuns.
O que torna essa descoberta especial é que o James Webb conseguiu “ver” através dessa cortina de poeira graças à sua capacidade de observar no infravermelho. Usando os instrumentos NIRSpec e MIRI, os cientistas analisaram a luz entre 3 e 28 micrômetros e identificaram assinaturas químicas claras de várias moléculas no gás, em gelos e em grãos de poeira. Entre elas estão o benzeno (C”H”), o metano (CH”), o acetileno (C”H”), o diacetileno (C”H”), o triacetileno (C”H”) e, pela primeira vez fora da nossa Via Láctea, o radical metila (CH”), uma molécula de carbono muito reativa.
O que mais surpreendeu a equipe foi que a quantidade dessas moléculas é muito maior do que qualquer modelo teórico previa. Parece que raios cósmicos – partículas de alta energia que atravessam o espaço – estão batendo em grãos ricos em carbono e em hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (os famosos PAHs), fragmentando essas estruturas e liberando uma cascata de compostos orgânicos. Em vez de temperaturas extremas ou turbulência do gás destruírem tudo, esses raios cósmicos acabam alimentando uma química intensa e contínua, transformando o núcleo da galáxia em uma verdadeira fábrica cósmica de moléculas orgânicas.
Embora essas moléculas pequenas não sejam vida em si, elas são blocos de construção fundamentais para a química prebiótica – os processos que, em condições certas, podem levar à formação de aminoácidos, nucleotídeos e outras substâncias essenciais para a origem da vida. Isso sugere que núcleos galácticos obscurecidos como esse podem desempenhar um papel importante na evolução química das galáxias inteiras, espalhando ingredientes orgânicos pelo cosmos.
A pesquisa, liderada pelo Centro de Astrobiologia (CAB) na Espanha e com contribuições importantes da Universidade de Oxford para os modelos teóricos, foi publicada na revista Nature Astronomy. Os resultados mostram que, mesmo em ambientes hostis e extremos, a química do carbono pode ser surpreendentemente rica e ativa.
Essa descoberta abre novas portas para entender como moléculas complexas surgem e se espalham no universo, e reforça o quanto o James Webb está revolucionando nosso conhecimento sobre os ingredientes básicos da vida em lugares distantes e escondidos do espaço.
O telescópio James Webb revela uma química orgânica surpreendentemente rica além da Via Láctea#moléculasorgânicas
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) February 28, 2026
Astrônomos descobrem uma quantidade impressionante de moléculas orgânicas pequenas em um lugar muito extremo do universo: o núcleo de uma galáxia próxima pic.twitter.com/Dqk8RKH8DU
Publicado em 28/02/2026 01h34
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