A maior imagem já feita pelo alma revela uma química escondida no coração da Via Láctea

Esta imagem mostra a localização da Zona Molecular Central (ZMC), uma região no núcleo da nossa galáxia rica em nuvens de gás densas e complexas. Esta zona foi mapeada com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), como parte do ALMA CMZ Exploration Survey (ACES). A imagem inserida é uma imagem do ACES onde diferentes moléculas são exibidas em cores diferentes. A imagem completa – a maior já feita com o ALMA – tem o comprimento equivalente a três luas cheias lado a lado no céu. Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Longmore et al. Estrelas na imagem inserida: ESO/D. Minniti et al. Via Láctea: ESO/S. Guisard

doi.org/10.48550/arXiv.2602.20340
Credibilidade: 888
#ALMA 

Astrônomos conseguiram capturar a maior imagem já produzida pelo radiotelescópio ALMA, revelando com detalhes impressionantes uma região enorme no centro da nossa galáxia, a Via Láctea

Essa área, conhecida como Zona Molecular Central, se estende por mais de 650 anos-luz e envolve o buraco negro supermassivo que fica bem no meio da galáxia.

O que vemos nessa imagem é um verdadeiro berçário de estrelas cheio de filamentos, nuvens densas e aglomerações de gás frio e poeira. Essas estruturas variam bastante: algumas são nuvens gigantescas com dezenas de anos-luz de extensão, enquanto outras são menores e se agrupam ao redor de estrelas individuais. Tudo isso forma uma teia complexa onde o gás se move, se comprime e dá origem a novas estrelas.

O que mais surpreendeu os cientistas foi a riqueza química desse lugar. Eles identificaram dezenas de moléculas diferentes no gás frio, desde compostos simples, como monóxido de silício e monossulfeto de carbono, até substâncias orgânicas mais complexas, como metanol, acetona, etanol, ácido isociânico, monóxido de enxofre e cianoacetileno. Essa diversidade mostra que o ambiente extremo perto do buraco negro supermassivo cria condições especiais para a formação de moléculas variadas.

Essa região é bem diferente de outras partes da galáxia. Lá, nascem algumas das estrelas mais massivas que conhecemos – estrelas que vivem rápido, queimam muito combustível e terminam a vida em explosões violentas, como supernovas ou até hipernovas. Estudar como as estrelas se formam nesse lugar caótico ajuda os pesquisadores a entender melhor os processos que aconteceram nas galáxias antigas do universo primordial, quando tudo era mais turbulento e intenso.

O mosaico final dessa imagem é tão grande que equivale ao tamanho de três luas cheias colocadas lado a lado no céu – um recorde para o ALMA. O trabalho faz parte do projeto ACES (ALMA CMZ Exploration Survey) e envolveu uma equipe internacional com mais de 160 cientistas. Os resultados detalhados aparecem em seis artigos científicos publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, e os dados estão disponíveis publicamente para quem quiser explorar.

Os pesquisadores estão animados com o futuro: com as próximas atualizações no ALMA e a entrada em operação do Telescópio Extremamente Grande da ESO, será possível enxergar estruturas ainda menores, detectar moléculas mais complexas e compreender melhor como estrelas, gás e o buraco negro interagem nessa região fascinante e escondida do nosso próprio quintal cósmico.


Publicado em 27/02/2026 23h21


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