A Lua continua encolhendo e cientistas descobrem novas zonas de tremores lunares

Uma pequena crista de mar no nordeste do Mare Imbrium tirada pela Lunar Reconnaissance Orbiter Camera. Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona

doi.org/10.3847/PSJ/ae226a
Credibilidade: 989
#Lua 

A Lua não está parada no tempo. Ela ainda está encolhendo lentamente, um processo que acontece porque seu interior continua a esfriar depois de bilhões de anos de existência.

À medida que o núcleo e o manto perdem calor, a superfície se contrai, gerando forças de compressão que deformam a crosta e criam rachaduras e elevações características.

Cientistas já sabiam disso há algum tempo, especialmente por causa das encostas lobadas – grandes falhas onde blocos de rocha são empurrados uns sobre os outros, formando degraus visíveis nas regiões mais altas da Lua. Agora, uma nova pesquisa revelou algo importante: milhares de estruturas semelhantes, mas menores, espalhadas pelas vastas planícies escuras chamadas mares lunares. Essas pequenas cristas, conhecidas como SMRs (small mare ridges), são evidências recentes dessa contração e podem ser fontes de tremores lunares, os famosos moonquakes.

Usando imagens detalhadas capturadas pela câmera do Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, os pesquisadores mapearam sistematicamente essas cristas em todo o lado visível da Lua. Eles identificaram mais de mil segmentos novos, elevando o total conhecido para mais de 2.600. O mais impressionante é que essas estruturas são geologicamente jovens: em média, têm cerca de 124 milhões de anos, uma idade parecida com a das encostas lobadas nas terras altas, que giram em torno de 105 milhões de anos. Isso significa que boa parte dessa atividade tectônica aconteceu nos últimos 20% da história da Lua, ou seja, no último bilhão de anos aproximadamente.

Uma pequena crista de mar localizada no centro da Bacia Aitken do Pólo Sul, no outro lado da Lua. Crédito: NASA/LROC/GSFC/Arizona State University

Diferente da Terra, onde a crosta é dividida em placas que se movem, colidem e criam montanhas ou oceanos, a Lua tem uma crosta única e rígida. Quando ela encolhe, o estresse se acumula e se libera formando essas falhas compressivas. As encostas lobadas aparecem principalmente nas terras altas, enquanto as pequenas cristas surgem nos mares lunares – as áreas planas e escuras formadas por antigas lavas basálticas. Em muitos lugares, as duas estruturas se conectam, compartilhando as mesmas falhas, o que reforça que todas vêm da mesma causa: a contração global do astro.

Essas descobertas vão além da curiosidade científica. Elas ajudam a entender melhor como a Lua evoluiu internamente e como ainda pode ser geologicamente ativa. Pesquisas anteriores já ligaram as encostas lobadas a tremores lunares detectados por instrumentos deixados pelas missões Apollo. Agora, com as pequenas cristas nos mares, surge um novo mapa de zonas potencialmente sísmicas. Isso é especialmente relevante para as missões futuras, como o programa Artemis da NASA, que planeja levar astronautas de volta à superfície lunar e estabelecer bases permanentes.

Uma pequena crista de mar localizada no Mare Procellarum, no lado próximo da Lua. Crédito: NASA/LROC/GSFC/Arizona State University

Saber onde ocorrem essas falhas ativas permite escolher locais de pouso mais seguros, evitar áreas de risco maior de abalos e planejar construções que resistam melhor a eventuais tremores. Ao mesmo tempo, estudar esses fenômenos oferece pistas valiosas sobre o interior da Lua, sua história térmica e o quanto ela ainda está “viva? geologicamente.

Portanto, a Lua que vemos no céu todas as noites não é um corpo morto e imóvel. Ela continua mudando, encolhendo e, de vez em quando, tremendo. Essa nova visão, revelada por um trabalho minucioso de mapeamento, mostra que nosso satélite natural guarda surpresas e desafios para as próximas gerações de exploradores.


Publicado em 23/02/2026 08h22


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