Algo está ‘ticando’ perto do buraco negro supermassivo da via láctea

Pulsar Vela – Imagem via NASA

doi.org/10.3847/1538-4357/ae336c
Credibilidade: 989
#Pulsar 

No coração da nossa galáxia, a Via Láctea, existe um buraco negro supermassivo chamado Sagitário A * , com uma massa equivalente a cerca de quatro milhões de vezes a do Sol

Essa região central é extremamente caótica e cheia de estrelas, gases e forças gravitacionais intensas. Agora, astrônomos anunciaram uma descoberta intrigante: eles detectaram um sinal que parece vir de um objeto girando a uma velocidade impressionante, bem próximo desse buraco negro.

Trata-se de um candidato a pulsar de milissegundos, uma espécie de estrela de nêutrons superdensa que sobrou depois da explosão de uma estrela muito grande. Esses pulsares giram tão rápido que emitem feixes de ondas de rádio como se fossem faróis cósmicos. No caso desse objeto, ele completa uma volta a cada 8,19 milissegundos – ou seja, “toca” como um relógio extremamente preciso mais de 120 vezes por segundo.

Os pesquisadores da Universidade Columbia, em parceria com o projeto Breakthrough Listen, fizeram essa detecção durante uma das buscas mais sensíveis já realizadas por sinais de rádio no centro galáctico. A região é difícil de observar porque há muita interferência e poeira, mas o sinal apareceu como algo promissor e regular.

O que torna essa descoberta tão especial é a localização: o pulsar (se confirmado) está muito perto do buraco negro supermassivo. Pulsares normais já funcionam como relógios cósmicos incrivelmente precisos, mas um deles orbitando ou muito próximo de um buraco negro gigante poderia revelar coisas novas sobre a gravidade e o próprio tecido do espaço-tempo.

De acordo com a teoria da Relatividade Geral de Einstein, a gravidade forte perto de um buraco negro curva o espaço e altera o tempo. Isso faria com que os “tic-tacs” do pulsar chegassem até nós com pequenas variações ou atrasos previsíveis. Medindo essas mudanças com muita precisão, os cientistas poderiam testar a teoria de Einstein em um ambiente de gravidade extrema, algo que ainda não foi feito de forma tão direta perto de um buraco negro supermassivo.

Por enquanto, o objeto é apenas um “candidato” – os astrônomos precisam de mais observações para confirmar se o sinal vem mesmo de um pulsar e não de outra fonte. Enquanto isso, todos os dados coletados estão sendo disponibilizados publicamente para que outros cientistas do mundo todo possam analisá-los e ajudar na investigação.

Se for confirmado, esse “relógio cósmico” perto de Sagitário A” pode abrir uma janela nova para entender melhor como a gravidade funciona nas condições mais extremas do universo – e, de quebra, nos contar mais segredos sobre o centro da nossa própria galáxia.


Publicado em 23/02/2026 00h59


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