Descoberta surpreendente: quitina preservada em fósseis de trilobitas de mais de 500 milhões de anos

Imagem ampliada de um fóssil de trilobita preservado. Crédito: Universidade do Texas em San Antonio.

doi.org/10.2110/palo.2024.025
Credibilidade: 989
#trilobita 

Cientistas acabam de fazer uma descoberta fascinante que muda o que pensávamos sobre a preservação de moléculas biológicas ao longo do tempo geológico

Em fósseis de trilobitas – aqueles animais marinhos tão famosos, com corpo segmentado e aparência quase alienígena – que têm mais de 500 milhões de anos, foi encontrada evidência química clara da presença de quitina.

A quitina é um material orgânico resistente, o mesmo que forma as cascas duras dos caranguejos, camarões e lagostas de atualmente, além do exoesqueleto dos insetos. Ela é o segundo polímero natural mais abundante no planeta, perdendo apenas para a celulose das plantas. Até então, ninguém havia confirmado de forma definitiva a presença desse composto em trilobitas, apesar de serem parentes distantes dos artrópodes modernos.

A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional liderada por Elizabeth Bailey, da Universidade do Texas em San Antonio, analisou fósseis da Formação Carrara, no oeste da América do Norte, datados do período Cambriano – uma época em que a vida explodia em diversidade nos oceanos, há cerca de 500 a 541 milhões de anos. Usando técnicas químicas avançadas e sensíveis, os pesquisadores detectaram a quitina preservada dentro desses fósseis, que normalmente são vistos apenas como estruturas minerais.

Essa preservação é surpreendente porque, por muito tempo, acreditava-se que moléculas orgânicas complexas como a quitina se degradavam rapidamente após a morte do organismo, devido à ação de micróbios e processos químicos. No entanto, em condições especiais de soterramento, alguns compostos biológicos conseguem sobreviver por centenas de milhões de anos.

A descoberta vai além da paleontologia. Ela mostra que moléculas importantes para a vida podem durar muito mais do que imaginávamos no registro geológico. Isso tem implicações interessantes para entender o ciclo do carbono na Terra ao longo do tempo profundo. Como a quitina está presente em calcários formados a partir de restos biológicos, ela contribui para o armazenamento de carbono por períodos geológicos muito longos – um processo natural de sequestro de carbono que ajuda a regular os níveis de CO2 no planeta.

Elizabeth Bailey destacou que, quando falamos em sequestro de carbono, as pessoas geralmente pensam em árvores e florestas. Mas a quitina, sendo tão abundante quanto é, também desempenha um papel importante. Provar que ela pode persistir por tanto tempo reforça a ideia de que os calcários, ricos em material biológico, são peças-chave no equilíbrio de longo prazo do carbono e do clima da Terra.

Esse achado, publicado na revista PALAIOS, abre novas portas para pesquisas futuras sobre como a matéria orgânica antiga se preserva e o que isso nos diz sobre a evolução precoce da vida e sobre o funcionamento do nosso planeta ao longo de bilhões de anos.


Publicado em 18/02/2026 02h57


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