
Astrônomos conseguiram acompanhar, pela primeira vez de forma tão detalhada, o processo raro em que uma estrela massiva morre sem explodir em uma supernova dramática e, em vez disso, colapsa silenciosamente para formar um buraco negro
Essa descoberta veio da análise de dados antigos coletados pela missão NEOWISE da NASA, que observava o céu em luz infravermelha, combinados com informações de outros telescópios espaciais e terrestres ao longo de quase duas décadas, de 2005 a 2023.
O objeto em questão é uma estrela supergigante chamada M31-2014-DS1, localizada na galáxia de Andrômeda, a cerca de 2,5 milhões de anos-luz da Terra. Essa estrela, que no final da vida tinha cerca de cinco vezes a massa do Sol após perder material ao longo do tempo, começou a mostrar mudanças impressionantes em 2014: seu brilho no infravermelho aumentou de repente, indicando que ela estava expelindo suas camadas externas em uma concha espessa de gás e poeira. Esse material, aquecido, emitia luz infravermelha intensa.
A partir de 2016, porém, a estrela começou a desaparecer rapidamente. Em luz visível, seu brilho caiu mais de 10 mil vezes até 2023, tornando-a praticamente invisível mesmo para os telescópios mais poderosos. Os pesquisadores concluíram que o núcleo da estrela, sem mais combustível nuclear para sustentar a pressão interna, colapsou sob a própria gravidade extrema, formando diretamente um buraco negro estelar. As camadas externas, em vez de serem lançadas para longe em uma explosão, caíram de volta para o centro ou formaram uma nuvem densa ao redor, obscurecendo completamente a luz da estrela.
Esse tipo de morte estelar, chamado de “supernova falhada? ou colapso direto, era previsto por teorias desde os anos 1970, mas evidências observacionais diretas eram raras. Aqui, os dados arquivados da NEOWISE capturaram exatamente o que se esperava: o brilho infravermelho temporário causado pela ejeção de material e o desaparecimento gradual, deixando para trás apenas um resíduo fraco e avermelhado envolto em poeira.
A descoberta não só oferece a visão mais clara até hoje do nascimento de um buraco negro estelar, mas também sugere que esse caminho silencioso pode ser mais comum do que se pensava para certas estrelas massivas. Os cientistas identificaram ainda outra estrela possivelmente passando pelo mesmo processo, reforçando a ideia de que buracos negros podem surgir sem o espetáculo de uma supernova tradicional.
O estudo, apoiado pelo programa de Análise de Dados em Astrofísica da NASA, foi publicado na revista “Science” em fevereiro de 2026. Ele destaca o valor de manter e reutilizar dados antigos de missões como a NEOWISE – originalmente projetada para caçar asteroides próximos à Terra – para desvendar mistérios profundos do universo, como a forma como algumas das estrelas mais pesadas terminam suas vidas e contribuem para a população de buracos negros no cosmos.
Publicado em 15/02/2026 08h07
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