
doi.org/10.1139/cjz-2025-0109
Credibilidade: 989
#Fósseis
Cientistas acabam de revelar detalhes surpreendentes sobre a evolução dos primeiros peixes que habitaram a Terra há mais de 400 milhões de anos, graças a duas pesquisas independentes realizadas por equipes da Austrália e da China
Esses estudos focam em peixes pulmonados antigos, que são os parentes vivos mais próximos dos vertebrados que, eventualmente, saíram da água para conquistar a terra firme, dando origem aos tetrápodes – grupo que inclui anfíbios, répteis, aves e mamíferos, inclusive nós, humanos.
Os peixes pulmonados são fascinantes porque já possuíam pulmões primitivos, permitindo respirar ar em águas pobres em oxigênio, uma adaptação crucial para a transição à vida terrestre. Agora, usando imagens avançadas de tomografia computadorizada (CT), os pesquisadores examinaram fósseis raros e excepcionalmente bem preservados do período Devônico, uma era em que a vida estava se diversificando rapidamente nos oceanos e começando a explorar os continentes.
Na Austrália, na famosa formação de Gogo, no oeste do país, a equipe reanalisou o enigmático fóssil chamado Cainocara, um peixe pulmonado do Devônico Tardio. As varreduras digitais revelaram o crânio externo e interno em detalhes impressionantes, corrigindo interpretações anteriores sobre sua orientação e mostrando semelhanças com outros peixes pulmonados da mesma região, como o Chirodipterus australis. Essas imagens destacam características primitivas e derivadas na evolução dos peixes de nadadeiras lobadas, grupo ancestral dos tetrápodes, e esclarecem como a cavidade cerebral e o ouvido interno eram complexos mesmo em formas muito antigas.
Na China, outro estudo descreveu um novo crânio de peixe pulmonado, batizado de Paleolophus yunnanensis, datado de cerca de 410 milhões de anos atrás, encontrado em rochas do sul do país. Esse fóssil mostra adaptações alimentares únicas e uma estrutura craniana que indica uma diversificação rápida desses peixes logo no início do Devônico. Juntos, os dois achados demonstram que os peixes pulmonados eram mais variados e anatomicamente sofisticados do que se imaginava, com traços que surgiram em ambientes aquáticos antes mesmo da grande explosão de formas terrestres.
Essas descobertas desafiam visões anteriores sobre a transição da água para a terra, mostrando que muitos dos ingredientes evolutivos necessários – como pulmões funcionais, nadadeiras robustas e estruturas cranianas complexas – já estavam presentes e se desenvolvendo em peixes aquáticos durante o Devônico inicial, médio e tardio. Em vez de uma mudança gradual e linear, parece ter havido uma evolução acelerada e diversificada entre esses peixes ancestrais, pavimentando o caminho para que alguns descendentes conseguissem se adaptar à vida em solo firme.
Pesquisadores como a Dra. Alice Clement, da Flinders University, na Austrália, explicam que esses fósseis adicionam peças importantes ao quebra-cabeça da evolução dos peixes de nadadeiras lobadas iniciais. Já o Dr. Brian Choo destaca como essas evidências revelam insights sobre a rápida diversificação evolutiva nessa época crucial. Os resultados foram publicados em revistas científicas respeitadas: um no Canadian Journal of Zoology e outro no Current Biology.
No final das contas, esses peixes fósseis de mais de 400 milhões de anos não só enriquecem nosso entendimento sobre o passado distante, mas também mostram como pequenas inovações anatômicas em criaturas aquáticas antigas abriram as portas para a conquista da terra pelos vertebrados, mudando para sempre a história da vida no planeta.
Publicado em 15/02/2026 02h13
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