
doi.org/10.1073/pnas.2517723123
Credibilidade: 999
#Bennu
Cientistas da Universidade Penn State analisaram uma pequena quantidade de poeira coletada do asteroide Bennu, trazida à Terra pela missão OSIRIS-REx da NASA em 2023, e chegaram a uma conclusão surpreendente que muda o que se pensava sobre como surgiram os blocos de construção da vida no espaço
O asteroide Bennu, com cerca de 4,6 bilhões de anos, é um remanescente da formação inicial do sistema solar, e suas rochas continham aminoácidos, moléculas essenciais que formam proteínas e participam de praticamente todos os processos biológicos.
Até agora, a ideia mais aceita era que esses aminoácidos, como a glicina – o mais simples deles, com apenas dois átomos de carbono “, se formavam principalmente em ambientes com água líquida quente, por meio de um processo químico conhecido como síntese de Strecker, que envolve substâncias como cianeto de hidrogênio, amônia e certos compostos orgânicos reagindo em condições aquosas moderadas. Essa visão ligava a origem desses ingredientes básicos da vida a cenários semelhantes aos da Terra primitiva ou a asteroides que passaram por aquecimento e presença de água.
No entanto, a nova pesquisa, publicada em fevereiro de 2026 na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, mostra que pelo menos alguns aminoácidos de Bennu se formaram de maneira diferente, em condições muito mais extremas: gelo extremamente frio exposto a intensa radiação cósmica nas regiões externas do jovem sistema solar. A equipe examinou isótopos – pequenas variações na massa dos átomos de carbono e nitrogênio – presentes na glicina e em outras moléculas da amostra minúscula, do tamanho de uma colher de chá, usando instrumentos altamente precisos. As assinaturas isotópicas encontradas não combinam com o modelo tradicional de formação em água quente, mas apontam para caminhos químicos que ocorrem em ambientes gelados e irradiados.
Essa descoberta é ainda mais impactante quando comparada com outro meteorito famoso, o Murchison, que caiu na Austrália em 1969 e também contém aminoácidos. Enquanto os do Murchison exibem padrões isotópicos consistentes com formação em água líquida e temperaturas amenas, os de Bennu revelam origens químicas distintas, sugerindo que os corpos parentais desses objetos vieram de regiões diferentes do sistema solar primitivo. Além disso, os pesquisadores observaram que formas espelhadas de certos aminoácidos, como o ácido glutâmico – que são quimicamente idênticas mas com orientação molecular invertida “, apresentam assinaturas de nitrogênio surpreendentemente diferentes, algo inesperado e que indica ainda mais diversidade nos processos de formação.
Allison Baczynski, professora assistente de geociências na Penn State e uma das principais autoras do estudo, explicou que esses resultados “viram o roteiro? do que se pensava sobre a formação de aminoácidos em asteroides. Agora parece haver muito mais maneiras e condições para esses blocos de construção da vida surgirem, não apenas em água líquida quente. Sua colega Ophélie McIntosh, pesquisadora pós-doutoral, destacou que os padrões isotópicos tão diferentes entre Bennu e Murchison indicam que esses asteroides se formaram em partes quimicamente distintas do sistema solar, ampliando as possibilidades de como moléculas orgânicas complexas poderiam ter chegado à Terra primitiva por meio de impactos de asteroides.
Essa nova visão sugere que os ingredientes necessários para a vida eram ainda mais comuns e variados no início do sistema solar do que se imaginava, podendo se formar em ambientes hostis de gelo e radiação antes mesmo de o nosso planeta existir. Os cientistas afirmam que agora têm mais perguntas do que respostas e planejam analisar amostras de outros meteoritos para investigar se existe ainda maior diversidade nesses caminhos químicos pré-bióticos. A amostra de Bennu está abrindo portas para entender melhor como a química que levou à vida pode ter se espalhado pelo cosmos.
Amostra do asteroide bennu reescreve a história da origem da vida#Bennu
– Terra Raraن (@Terra_Rara) February 15, 2026
Cientistas analisaram a poeira coletada do asteroide Bennu, trazida à Terra em 2023, e chegaram a uma conclusão surpreendente que muda o que se pensava sobre como surgiram os blocos de construção da vida pic.twitter.com/HOZ9F903Ld
Publicado em 15/02/2026 00h05
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