Uma esperança brasileira para vítimas de lesão medular: polilaminina

Polilaminina

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A polilaminina surge como uma das maiores promessas da ciência brasileira recente para pessoas que sofrem de lesões medulares graves que causam paraplegia ou tetraplegia após acidentes como quedas, colisões de trânsito, mergulho ou outras lesões

Desenvolvida ao longo de quase 30 anos pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a substância é uma versão modificada e mais potente da laminina, uma proteína natural presente na placenta humana que auxilia na organização e regeneração do tecido nervoso durante o desenvolvimento embrionário e os processos de reparo.

A polilaminina é aplicada diretamente na medula espinhal, preferencialmente o mais rápido possível após o trauma – idealmente nas primeiras 72 horas – estimulando os neurônios maduros a recuperarem sua capacidade de crescimento. Ela promove a formação de novos axônios, as extensões que transmitem os impulsos nervosos, ajudando a restaurar as conexões interrompidas pela lesão. Produzido a partir de placentas doadas por mulheres saudáveis “”e fabricado em larga escala pelo laboratório Cristália, parceiro de pesquisa, o medicamento é 100% brasileiro e representa um marco na inovação biotecnológica no país.

Em testes experimentais iniciais, conduzidos em animais e em aplicações de uso experimental ou compassivo em humanos, os resultados foram impressionantes: muitos cães e ratos com lesões graves recuperaram a capacidade de andar, e pacientes humanos relataram melhorias significativas, como retorno parcial ou total dos movimentos, sensibilidade em áreas previamente anestesiadas e recuperação de funções básicas. Casos notáveis “”incluem jovens que, após acidentes graves, recuperaram o movimento dos dedos, a sensibilidade nas pernas ou até mesmo a capacidade de andar com reabilitação intensiva. Um exemplo é o de um paciente tetraplégico após uma colisão em 2018, que recuperou a mobilidade e agora pratica esportes.

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou a fase 1 dos estudos clínicos oficiais, uma etapa crucial na avaliação da segurança da substância. O estudo envolve cinco voluntários com idades entre 18 e 72 anos com lesões agudas completas (ocorridas há menos de 72 horas, que exigiram cirurgia), aos quais foi aplicada polilaminina durante o procedimento cirúrgico. Essa aprovação, anunciada pelo Ministério da Saúde e pela agência reguladora, abre caminho para fases subsequentes que testarão sua eficácia em um número maior de pacientes.

Apesar da empolgação – com a pesquisadora sendo convidada para uma audiência no Senado e recebendo elogios públicos – especialistas alertam para a necessidade de cautela. A polilaminina ainda é experimental e não está aprovada para uso generalizado. Algumas aplicações por ordem judicial (uso compassivo) ocorreram fora de protocolos rigorosos, e relatos recentes mencionam mortes de pacientes em estado crítico, atribuídas a complicações como pneumonia, septicemia e embolia pulmonar, sem qualquer ligação comprovada com o medicamento, segundo Cristália e a equipe da UFRJ. Esses casos reforçam a necessidade de monitoramento controlado e estudos científicos abrangentes.

Se as próximas fases confirmarem sua segurança e eficácia, a polilaminina poderá revolucionar o tratamento de lesões medulares, oferecendo esperança real de recuperação dos movimentos e melhoria da qualidade de vida para milhares de pessoas no Brasil e no mundo. É um exemplo inspirador de persistência científica nacional, liderada por um pesquisador dedicado há décadas, que transforma uma descoberta “por acaso” em algo com potencial transformador.


Publicado em 13/02/2026 19h58


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