Um companheiro invisível com anéis gigantes está escondendo uma estrela

Representação artística do evento de escurecimento estelar causado por uma anã marrom ou super-Júpiter com anéis massivos (em primeiro plano) formando um

doi.org/10.1093/mnras/staf2251
Credibilidade: 989
#ASASSN24fw 

Astrônomos descobriram algo muito curioso acontecendo com uma estrela chamada ASASSN-24fw, que fica na constelação de Monoceros, a cerca de 3.200 anos-luz da Terra.

Essa estrela, que é aproximadamente duas vezes maior que o nosso Sol, sempre foi considerada bem estável e brilhante durante décadas. Mas, no final de 2024, ela começou a escurecer de forma impressionante, perdendo cerca de 97% do seu brilho normal. O escurecimento durou mais de nove meses, o que é extremamente raro e longo para esse tipo de fenômeno.

Uma equipe internacional de cientistas, liderada pelo pesquisador Sarang Shah, analisou o caso com atenção e publicou os resultados recentemente. Eles acreditam que o responsável por esse “apagão? não é um planeta comum nem uma estrela, mas sim um objeto invisível que orbita a estrela principal: pode ser um anão marrom (um tipo de objeto que fica entre um planeta gigante e uma estrela pequena, sem conseguir fazer fusão nuclear como as estrelas) ou um planeta muito grande, chamado de “super-Júpiter”.

O que torna esse caso especial são os anéis enormes ao redor desse objeto companheiro. Esses anéis são tão grandes e densos que formam uma espécie de disco ou “prato? gigante, com cerca de 0,17 unidades astronômicas de extensão – para se ter ideia, isso equivale a quase metade da distância entre o Sol e Mercúrio. Quando esse disco de anéis passou na frente da estrela, bloqueou quase toda a luz dela por um tempo muito longo, causando o escurecimento gradual e prolongado que os telescópios registraram.

Esse tipo de evento é raríssimo porque exige um alinhamento perfeito entre a estrela, os anéis e a nossa linha de visão aqui da Terra. Os cientistas usaram medições de brilho (fotométricas) e análises da luz (espectroscópicas), além de modelos computacionais, para chegar a essa conclusão. Eles também notaram sinais de que pode haver material sobrando de antigas colisões entre planetas ou pedaços de discos ao redor da estrela, o que é incomum para uma estrela já tão antiga (provavelmente com mais de um bilhão de anos).

Os pesquisadores preveem que algo parecido pode acontecer novamente daqui a cerca de 42 ou 43 anos, quando os anéis voltarem a alinhar-se da mesma forma. Observações futuras com telescópios poderosos, como o Very Large Telescope e o James Webb, devem ajudar a entender melhor a composição, a temperatura e a idade exata desse sistema intrigante.

Essa descoberta mostra como sistemas estelares distantes podem ter estruturas complexas e inesperadas, como anéis gigantes em objetos que não vemos diretamente, e ajuda os cientistas a aprender mais sobre como planetas e discos se formam e evoluem no universo.


Publicado em 12/02/2026 08h10


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Estudo original:


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