
doi.org/10.48550/arXiv.2601.20473
Credibilidade: 888
#Galáxia
Astrônomos de vários países, liderados por Weichen Wang, da Universidade de Milão, na Itália, acabam de identificar uma galáxia muito especial e surpreendente no universo distante
Usando o poderoso Telescópio Espacial James Webb (James Webb), eles encontraram uma galáxia massiva, vermelha e praticamente “parada” em termos de formação de estrelas, apelidada carinhosamente de “Batata Vermelha” (Red Potato, no original), por causa de sua forma arredondada e cor avermelhada característica.
A descoberta aconteceu por acaso enquanto a equipe investigava uma região rica em gás, chamada MQN01, que fica a uma distância enorme – cerca de 11,5 bilhões de anos-luz da Terra (correspondente a um redshift de aproximadamente 3,25). Esse tipo de lugar, conhecido como nó da teia cósmica ou protocluster, geralmente é cheio de gás frio e molecular, o que favorece a criação acelerada de estrelas e o crescimento de galáxias grandes. Por isso, os cientistas esperavam ver muita atividade de formação estelar ali.
No entanto, no centro dessa região gasosa, o telescópio revelou algo inesperado: uma galáxia gigante, com massa de cerca de 110 bilhões de vezes a massa do Sol e diâmetro aproximado de 6.500 anos-luz (medido pela metade da luz), mas que praticamente não forma mais estrelas novas. Sua taxa de formação estelar é baixíssima, apenas cerca de 4 massas solares por ano – valor muito inferior ao que seria normal para uma galáxia tão pesada e situada em um ambiente tão rico em material.
Os astrônomos notaram que a “Batata Vermelha” tem pouquíssimo gás molecular (menos de 7 bilhões de massas solares) e também quase não apresenta gás neutro. Não foram detectados ventos ou saídas de gás saindo dela, e os movimentos do gás ionizado indicam que se trata de um sistema dominado por dispersão de velocidades, ou seja, bastante turbulento.
O que torna o caso ainda mais intrigante é que, apesar de estar mergulhada em um grande reservatório de gás frio ao seu redor (visível pelas emissões de Lyα e Hα), a galáxia não está aproveitando esse material para produzir estrelas. Os pesquisadores acreditam que um jato de raios X vindo de um núcleo galáctico ativo (AGN) vizinho está influenciando o ambiente. Esse jato provavelmente aumenta a turbulência no gás circundante (o chamado meio circumgaláctico), dificultando que o gás caia calmamente na galáxia e forme novas estrelas.
Em resumo, a “Batata Vermelha” é um exemplo fascinante de como uma galáxia muito massiva pode “se aposentar” cedo, tornando-se quiescente (ou “morta” em termos de formação estelar), mesmo estando no meio de um “oceano” de gás que, em teoria, deveria alimentá-la. Essa descoberta, relatada em artigo no repositório arXiv, levanta novas questões sobre os mecanismos que desligam a formação de estrelas no universo primordial e mostra como o James Webb continua revelando surpresas sobre como as galáxias evoluem nos primeiros bilhões de anos do cosmos.
A galáxia "batata vermelha" descoberta pelo telescópio James Webb#Galáxia
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) February 9, 2026
Astrônomos de vários países, liderados por Weichen Wang, da Universidade de Milão, na Itália, acabam de identificar uma galáxia muito especial e surpreendente no universo distante pic.twitter.com/MjPi4Zuu2S
Publicado em 09/02/2026 09h46
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