
doi.org/10.1051/0004-6361/202556646
Credibilidade: 989
#Estrelas
Estrelas fugitivas, ou runaway stars, são astros que viajam pela galáxia a velocidades muito altas, às vezes tão rápidas que conseguem escapar da gravidade da Via Láctea para sempre
Elas foram descobertas na década de 1960 pelo astrônomo holandês Adriaan Blaauw, que sugeriu que muitas surgem em sistemas binários: quando uma das estrelas explode em supernova, a outra é lançada para longe como uma pedra de estilingue. Mais tarde, em 2005, identificaram estrelas ainda mais velozes, chamadas hipervelozes. Essas estrelas “fugitivas? têm um papel importante: elas espalham energia e elementos pesados pelo meio interestelar, influenciando onde novas estrelas e planetas podem nascer.
Agora, uma equipe de pesquisadores espanhóis, ligada a instituições como o Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona (ICCUB), o Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha (IEEC) e o Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), realizou o maior estudo observacional já feito sobre estrelas fugitivas massivas na nossa galáxia. Eles analisaram 214 estrelas do tipo O – as mais brilhantes, quentes e massivas que existem – combinando dados precisos da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, que desde 2013 mapeia bilhões de estrelas com detalhes impressionantes de movimento, distância e composição, com espectros de alta qualidade do projeto IACOB, especializado em estrelas massivas.
O objetivo foi entender melhor como essas estrelas são ejetadas e de onde vêm. Para isso, os cientistas mediram não só a velocidade delas, mas também a rotação (quão rápido giram em torno do próprio eixo) e se viajam sozinhas ou em pares (binariedade). Estrelas fugitivas foram definidas como aquelas com velocidades acima de cerca de 700 km/s, suficientes para escapar da galáxia.
Os resultados trouxeram revelações inesperadas. A maioria das estrelas fugitivas gira devagar, mas as que giram mais rápido costumam estar ligadas a explosões de supernova em sistemas binários. Já as de velocidade mais extrema tendem sendo solitárias, sugerindo que foram arremessadas por interações gravitacionais intensas dentro de aglomerados estelares jovens e densos. Apenas uma minoria veio de companheiras binárias, contrariando a ideia antiga de que esse era o mecanismo principal. A equipe encontrou 12 sistemas binários fugitivos, incluindo três binários de raios X com estrelas de nêutrons ou buracos negros, e três que provavelmente abrigam buracos negros.
Pouquíssimas estrelas combinam alta velocidade com rotação rápida, o que indica que existem vários caminhos diferentes para a ejeção: supernovas em binárias para algumas, e interações dinâmicas em aglomerados para outras. Como disse a autora principal, Mar Carretero-Castrillo, “este é o estudo observacional mais completo do tipo na Via Láctea. Ao unir informações sobre rotação e binariedade, oferecemos à comunidade restrições sem precedentes sobre como essas estrelas fugitivas se formam”.
Essas descobertas ajudam a refinar os modelos de evolução estelar, formação de aglomerados e o papel das supernovas na dinâmica galáctica. Estrelas fugitivas massivas espalham elementos essenciais para a vida pelo espaço e podem até carregar sistemas planetários para regiões distantes da galáxia. Com dados futuros da Gaia e mais espectroscopia, os astrônomos pretendem rastrear os locais exatos de nascimento dessas estrelas e descobrir sistemas ainda mais exóticos. Aos poucos, estamos entendendo melhor como o caos no nascimento das estrelas molda a estrutura da nossa própria galáxia.
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— Rare Earth (@rareearth0) February 10, 2026
The largest study on runaway stars in the milky way reveals surprises about their origins#Stars
Runaway stars are celestial bodies that travel through the galaxy at extremely high speeds, sometimes so fast that they manage to escape the Milky Way's gravity forever pic.twitter.com/IanFc2pVrt
Publicado em 09/02/2026 08h09
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