
O primeiro voo de teste do novo foguete reutilizável chinês terminou com uma explosão espetacular, mas mesmo assim está sendo tratado como um marco importante para o programa espacial da China
Na terça-feira, 2 de dezembro, a empresa privada Landspace lançou o Zhuque-3 do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no meio do Deserto de Gobi, no norte do país. Com 66 metros de altura e feito inteiramente de aço inoxidável, o foguete é movido a metano líquido e oxigênio líquido, uma combinação moderna chamada methalox. Ele colocou com sucesso o segundo estágio descartável em órbita, cumprindo o objetivo principal da missão.
O grande teste, porém, era trazer de volta o primeiro estágio, exatamente como a SpaceX faz com o Falcon 9. Depois de se separar e voltar à atmosfera, o estágio principal acendeu novamente os motores para o pouso controlado. Tudo parecia perfeito até os últimos segundos: de repente, um dos nove motores pareceu falhar, o foguete perdeu o controle, pegou fogo no ar e caiu explodindo em uma enorme bola de fogo. Mesmo assim, ele aterrissou a poucos metros do ponto exato previsto.
This is a spectacular view of the fiery, failed Zhuque-3 first stage landing attempt over the desert. https://t.co/amZBLFWupG https://t.co/L51Dcq3XDL pic.twitter.com/x1Dg802mFP
? Andrew Jones (@AJ_FI) December 3, 2025
A Landspace foi rápida em se pronunciar nas redes sociais: “Ocorreu uma anomalia quando o primeiro estágio se aproximava da zona de recuperação. Não houve risco para pessoas.” A empresa já está investigando o que deu errado, mas fez questão de comemorar: “A primeira tentativa de recuperação de foguete da China alcançou todos os objetivos técnicos esperados.” Entre os sucessos estão a validação do sistema de recuperação, a capacidade de reduzir e aumentar a potência dos motores em voo e o controle preciso de orientação.
O Zhuque-3 é claramente inspirado no Falcon 9 da SpaceX: tem primeiro estágio reutilizável, segundo estágio descartável e nove motores na base. A maior diferença é o combustível: enquanto o Falcon 9 usa querosene, o chinês aposta no metano, a mesma escolha que a SpaceX fez para o gigantesco Starship. Em capacidade de carga, os dois são bem parecidos: o Zhuque-3 consegue levar cerca de 18,3 toneladas para órbita baixa, só um pouco menos que as 22,8 toneladas do Falcon 9.
LANDSPACE failed to recover Zhuque-3”s first stage on its maiden launch. But the launch was a success. The payload has been inserted into orbit! Congratulations – https://t.co/9VOQXRFKGK pic.twitter.com/F9mIKYVgjc
? China ”N Asia Spaceflight “? “? (@CNSpaceflight) December 3, 2025
A Landspace já tinha feito história antes: em julho de 2023, seu foguete anterior, o Zhuque-2, tornou-se o primeiro do mundo movido a metano a chegar ao espaço. O nome da família Zhuque vem do pássaro vermelho da mitologia chinesa, símbolo do elemento fogo, o que combinou perfeitamente com o final flamejante deste teste.
Apesar do pouso ter terminado em explosão, a empresa e o público chinês estão celebrando. Foi a primeira vez que um foguete reutilizável chinês voltou do espaço e quase acertou o alvo. Para um primeiro voo, cair a poucos metros do ponto marcado depois de sobreviver à reentrada é um feito que deixa o país mais perto de ter sua própria frota de foguetes que sobem, entregam cargas e voltam para serem usados novamente, exatamente como acontece nos Estados Unidos. O próximo teste, prometem, já vai tentar pousar de verdade.
Publicado em 04/12/2025 07h13
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