Múmias de dinossauros incrivelmente preservadas revelam os primeiros cascos de répteis conhecidos

Uma das múmias de Edmontosaurus em exposição no Museu Americano de História Natural. (Claire H./CC BY SA 2.0)

doi.org/10.1126/science.adw3536
Credibilidade: 989
#Dinossauros 

Cerca de 66 milhões de anos atrás, um grupo de dinossauros herbívoros morreu durante uma seca, apenas algumas horas ou dias antes de uma grande chuva chegar

Sabemos disso porque esses dinossauros deixaram algumas das “múmias? de dinossauros mais bem preservadas já encontradas, com moldes de argila que guardam detalhes como pele, espinhos e até os primeiros cascos já vistos em um réptil.

Essas múmias pertencem à espécie Edmontosaurus annectens, dinossauros herbívoros com bico de pato que vagavam pela América do Norte, como búfalos antigos. Eles são muito conhecidos pelos cientistas, pois são comuns e frequentemente encontrados em bom estado de preservação.

Pesquisadores da Universidade de Chicago lideraram um estudo que examinou de perto várias dessas múmias encontradas em uma região de 10 quilômetros no estado de Wyoming, nos EUA, chamada de “zona das múmias”, onde as condições de preservação são excepcionalmente boas.

Novas descobertas surpreendentes

Duas múmias recém-descobertas revelaram características nunca vistas antes. A primeira é de um filhote, com cerca de dois anos de idade quando morreu. Esse é o primeiro dinossauro de grande porte encontrado com seu perfil completo de carne, incluindo uma crista que corre pelo pescoço e coluna.

O segundo espécime é um jovem adulto, com idade entre cinco e oito anos. Ele ainda tem uma fileira completa de pequenos espinhos ao longo das costas, desde os quadris até a ponta da cauda. Alguns desses espinhos já haviam sido encontrados antes, mas nunca tão completos.

O achado mais intrigante, porém, são os cascos nas patas traseiras. Essa descoberta é rara: não só é a primeira vez que se encontra cascos em um dinossauro, mas também em qualquer tipo de réptil. Além disso, com uma idade entre 66 e 69 milhões de anos, esses são alguns dos cascos mais antigos já registrados em qualquer animal.

Os pesquisadores acreditam que cascos podem ter surgido ainda mais cedo, no período Jurássico, em dinossauros encouraçados como estegossauros e anquilossauros, que tinham patas robustas e deixavam pegadas com dedos arredondados.

B: Marca de pegada de Edmontosaurus. C/D: Anatomia do pé com cascos destacados em azul. E: Uma recriação da espécie em tempo real incorporando as novas informações, incluindo a crista e os espinhos ao longo do dorso (inserção) e os cascos dos pés traseiros (F). (Sereno et al., Science 2025)

Como essas múmias foram formadas?

Para entender como essas múmias foram preservadas, os cientistas usaram escaneamentos ópticos, raios X, tomografias e microscópios eletrônicos. Eles descobriram que não há mais nenhum material orgânico, como pele ou órgãos, nem marcas de estruturas internas. Em vez disso, tudo o que restou foi preservado como uma fina camada de argila, com menos de 1 milímetro de espessura. Essa argila se formou quando o material se solidificou sobre uma camada de micróbios que cobria os corpos enquanto eles se decompunham.

A história por trás da morte

Esses achados contam a história da morte desses dinossauros com detalhes impressionantes. A pele enrugada, que ficou bem próxima dos ossos, mostra que os corpos ficaram expostos ao sol quente por algumas horas ou dias após a morte. A seca foi confirmada como a causa da morte de pelo menos alguns desses dinossauros.

O que aconteceu depois é tragicamente irônico: logo após morrerem, os corpos foram rapidamente soterrados por uma grande quantidade de sedimentos, com lama e troncos de árvores quebrados na mesma camada. “Esses detalhes mostram que os corpos foram enterrados por uma enchente no local da morte, ou bem perto, em questão de horas ou, no máximo, dias”, explicam os pesquisadores. Eles estimam que o tempo entre a morte e o soterramento dessas múmias foi de cerca de uma semana ou algumas semanas, dentro de uma mesma estação.

Por que isso é importante?

A maior parte do que sabemos sobre dinossauros vem de ossos fossilizados, mas, às vezes, tecidos moles, como pele, penas, escamas ou até órgãos, sobrevivem. Essas múmias de dinossauros oferecem uma das visões mais claras desses animais antigos, como se fosse quase uma viagem no tempo.


Publicado em 24/10/2025 01h23


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Estudo original:


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