
doi.org/10.1093/pnasnexus/pgaf186
Credibilidade: 989
#Gelo
Cientistas descobriram um núcleo de gelo nos Alpes Europeus que guarda informações sobre o clima dos últimos 12 mil anos, desde a última Era do Gelo
Esse é o primeiro núcleo de gelo da região sendo datado com tanta precisão, oferecendo dados valiosos sobre o meio ambiente ao longo da história.
A pesquisa foi liderada por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e do Laboratório de Núcleos de Gelo do Desert Research Institute (DRI), em Nevada, nos Estados Unidos. Eles analisaram um tubo de gelo de 40 metros, retirado em 1999 do Dôme du Goûter, uma montanha na cordilheira do Mont Blanc, entre a França e a Itália.
“É a primeira vez que temos um registro tão completo do clima dos Alpes, com dados sobre a química da atmosfera e das chuvas que remontam ao período Mesolítico”, explica Joe McConnell, hidrologista do DRI. “Isso é muito importante porque o núcleo de gelo cobre dois momentos climáticos distintos: a Era do Gelo e o período mais quente que veio depois. Esses dados mostram as condições naturais mais extremas que podemos esperar.”

Por que esse núcleo de gelo é especial?
A localização do núcleo é crucial. Diferente de amostras coletadas em regiões remotas, como o Ártico, o gelo dos Alpes reflete o ambiente de uma área onde a população humana cresceu ao longo do tempo. Ele contém partículas de poeira, sal marinho, enxofre, fuligem e outros elementos que ajudam a entender como era o clima em diferentes épocas. Esse núcleo cobre desde o tempo dos caçadores-coletores, quando as pessoas viviam espalhadas, até a expansão da agricultura e a domesticação de animais.

O que o gelo revelou?
O núcleo de gelo já trouxe descobertas importantes. Durante a última Era do Gelo, os verões nos Alpes eram 3,5 °C mais frios do que hoje, e, em geral, o oeste da Europa era 2 °C mais frio. Além disso, ao analisar os níveis de fósforo (liberado por plantas), os cientistas conseguiram mapear mudanças na vegetação ao longo desses 12 mil anos. As florestas se espalhavam mais em períodos de clima quente e diminuíam em tempos de desmatamento e desenvolvimento humano.
“É emocionante encontrar um núcleo de gelo dos Alpes com um registro climático intacto, que vai desde o período quente dos últimos 10 mil anos até o clima muito diferente da Era do Gelo”, diz a geocientista Susanne Preunkert, da Universidade Grenoble Alpes, na França.
Como a idade do gelo foi determinada?
O núcleo de gelo, que ficou guardado por 25 anos, só agora foi analisado com técnicas modernas, como a medição de isótopos de carbono e argônio, que ajudam a determinar a idade do material. Os pesquisadores também estão estudando os níveis de sal marinho no gelo para entender mudanças nos padrões de vento ao longo do tempo e criar modelos climáticos mais precisos, que conectam sal marinho, padrões de nuvens e radiação solar.
Por que isso importa?
“Para entender o clima do passado e prever o futuro, precisamos de modelos que capturem a verdadeira variabilidade do clima”, explica McConnell. “E para saber se esses modelos são bons, precisamos compará-los com observações reais. É aí que os núcleos de gelo fazem a diferença.”
Essa descoberta ajuda os cientistas a entenderem melhor como o clima mudou ao longo de milhares de anos e pode melhorar as previsões sobre o clima no futuro, especialmente em regiões como a Europa, que já enfrentam mudanças climáticas significativas.
Publicado em 31/07/2025 03h19
Texto adaptado por IA (Grok) do original em inglês. Imagens de bibliotecas públicas de imagens ou créditos na legenda. Informações sobre DOI, autor e instituição encontram-se no corpo do artigo.
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