Astrônomos do MIT descobrem o quasar oscilante mais antigo do Universo

A quasar

doi.org/10.1038/s41550-026-02897-4
Credibilidade: 989
#Quasar 

Astrônomos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e de outras instituições identificaram um quasar que oscila (pisca) no Universo primordial, quando o cosmos tinha apenas 850 milhões de anos de idade

Essa descoberta, anunciada em junho de 2026, representa o quasar oscilante mais antigo já observado e revela que um buraco negro supermassivo extremamente voraz já estava surpreendentemente maduro naquela época distante.

Quasares são os objetos mais luminosos e energéticos do Universo. Eles surgem quando um buraco negro supermassivo, localizado no centro de uma galáxia, atrai grandes quantidades de gás e poeira. Esse material forma um disco de acreção – uma espécie de redemoinho quente ao redor do buraco negro – que libera enormes quantidades de energia, brilhando mais que toda a luz das estrelas da galáxia ao redor.

Até agora, os cientistas haviam encontrado muitos quasares no início do Universo, mas apenas como pontos brilhantes de luz. Pela primeira vez, foi possível observar o “piscar? de um deles. Essa oscilação acontece por variações na quantidade de material que cai no buraco negro, e ela permite estudar a forma e a estrutura do disco de acreção.

Os pesquisadores, liderados por Anna-Christina Eilers e Gene Leung, do MIT Kavli Institute, analisaram dados infravermelhos coletados pelo telescópio espacial NEOWISE da NASA ao longo de 14 anos. Eles detectaram um quasar que brilhava com a intensidade de 12 trilhões de sóis e oscilava cerca de 20% em brilho, de forma irregular, como a chama de uma vela.

Surpreendentemente, o disco de acreção desse quasar antigo era fino e achatado, semelhante ao de quasares mais recentes e próximos de nós. Os astrônomos esperavam encontrar discos mais inchados e caóticos em buracos negros ainda em formação. Essa estrutura madura aumenta o mistério de como buracos negros supermassivos puderam crescer tão rápido logo após o Big Bang.

“Parece que as fases de crescimento mais rápidas e turbulentas acontecem muito cedo, antes de vermos esses objetos como quasares brilhantes”, explicou Anna-Christina Eilers. Gene Leung complementou: “Algo deve ter ocorrido ainda mais cedo para que esses sistemas já parecessem tão maduros”.

Essa observação mostra que os processos de alimentação dos buracos negros e a estrutura de seus discos já existiam no Universo primordial, mesmo em condições cósmicas muito diferentes das de hoje. Os cientistas agora planejam observar ainda mais longe no tempo para entender as etapas iniciais de formação desses gigantes gravitacionais.

A pesquisa, publicada na revista “Nature Astronomy”, foi apoiada em parte pela NASA e ajuda a compreender melhor como os buracos negros influenciam a evolução das galáxias desde os primeiros tempos do Universo.


Publicado em 14/06/2026 19h52


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