A rede gigante de fungos subterrâneos que alimenta as plantas e protege o clima

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doi.org/10.1126/science.adu4373
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#Fungos 

Logo abaixo da superfície da Terra existe uma imensa rede de fungos ricos em carbono que se entrelaça com as raízes das plantas

Essa vasta “infraestrutura? subterrânea acaba de ser revelada pela primeira vez em um mapa digital global. Além de trocar nutrientes com as plantas, esses fungos também ajudam a regular o clima do planeta.

Os fungos micorrízicos arbusculares, um grupo antigo que vive na maioria dos ecossistemas terrestres, formam parcerias com cerca de 70% das espécies de plantas do mundo. Eles fornecem água e nutrientes às plantas em troca de carbono. “Algumas pessoas dizem que as plantas salvam os fungos, mas os fungos também salvam as plantas”, explica Justin Stewart, da Society for the Protection of Underground Networks. “Se uma planta não vive em simbiose com esses fungos, ela é quase uma exceção no mundo vegetal.”

Diante da importância desses organismos, Stewart e sua equipe decidiram mapear essa rede escondida. “Nós nos perguntamos: será possível mapear o sistema circulatório subterrâneo da Terra””, conta Toby Kiers, também da organização.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 16 mil amostras de solo coletadas em 322 estudos anteriores. Usaram ainda imagens robóticas para medir mais de 300 mil filamentos de fungos cultivados em laboratório. Com essas informações, conseguiram estimar a biomassa total e a quantidade de carbono armazenada nas redes, estendendo os cálculos para desertos, tundras, florestas e outras áreas onde não havia medições diretas.

Os resultados são impressionantes: a quantidade de carbono guardada nesses fungos ao redor do mundo equivale a cerca de cinco vezes a massa de todos os seres humanos vivos juntos. “Eles são fundamentais para muitas funções do planeta”, diz Stewart. “Por exemplo, eles puxam carbono para dentro do solo, o que é muito importante para combater as mudanças climáticas.?

Cerca de 40% desses fungos estão concentrados em ecossistemas de pastagens, especialmente no Sudão do Sul, nos Everglades da Flórida e no planalto tibetano. Isso preocupa os cientistas, porque essas áreas estão sendo rapidamente convertidas em terras agrícolas.

Nas áreas de cultivo, a presença dos fungos é bem menor: as redes são cerca de 50% menos densas do que em ecossistemas naturais, mesmo havendo muitas plantas. Isso acontece porque fungicidas matam os fungos diretamente, o arado quebra suas redes e o uso excessivo de fertilizantes prejudica a troca natural de nutrientes por carbono.

Estudos anteriores já mostraram que certos fungicidas reduzem em até 70% a quantidade de filamentos e em até 80% a colonização das raízes pelas espécies benéficas. “Apoiar esses fungos não é apenas uma questão ecológica, mas uma forma prática de melhorar a saúde do solo, a resiliência e a produtividade das lavouras a longo prazo”, afirma Laura Carter, da Universidade de Leeds.

Especialistas como Steven Allison, da Universidade da Califórnia, destacam que as plantas cultivadas podem estar perdendo benefícios importantes, como acesso a nutrientes, resistência à seca e armazenamento de carbono. A boa notícia é que, agora que a escala do problema foi quantificada, fica mais fácil criar soluções: agricultores podem adicionar esporos de fungos ao solo, reduzir o arado e usar menos fertilizantes.

O estudo não significa que todos os fungos estejam conectados em uma única grande rede mundial, como o famoso “Wood Wide Web”. Os pesquisadores apenas calcularam quantos filamentos existem no planeta. Junto com o artigo, eles lançaram um mapa interativo que mostra a distribuição global dessas redes com detalhes inéditos. As descobertas serão apresentadas a formuladores de políticas na cúpula da ONU sobre desertificação, em agosto, na Mongólia.


Publicado em 12/06/2026 14h25


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Estudo original:


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