Um Universo Sem Energia Escura? Matemáticos Desafiam o Modelo Padrão da Cosmologia

Esta imagem composta mostra uma das colisões entre aglomerados de galáxias mais complexas e dramáticas já observadas. Conhecido oficialmente como Abell 2744, este sistema foi apelidado de Aglomerado de Pandora devido à grande variedade de estruturas encontradas. Dados do Observatório de Raios X Chandra da NASA (em vermelho) mostram gás com temperaturas de milhões de graus. Em azul, um mapa mostra a concentração total de massa (principalmente matéria escura) com base em dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA, do VLT (Very Large Telescope) e do telescópio Subaru. Dados ópticos do Hubble e do VLT também mostram as galáxias constituintes dos aglomerados. Os astrônomos acreditam que pelo menos quatro aglomerados de galáxias, vindos de diversas direções, estejam envolvidos nesta colisão.

doi.org/10.1098/rspa.2025.0912
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#Energia Escura 

Matemáticos estão questionando se a energia escura realmente existe

Um novo estudo sugere que a aceleração da expansão do universo pode ser explicada sem ela, o que abala as bases do modelo cosmológico atual.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis, publicaram uma análise no periódico “Proceedings of the Royal Society A”. Eles mostram que as equações de Einstein combinadas com a dinâmica de fluidos (conhecidas como equações Einstein-Euler) revelam instabilidades no modelo padrão do universo em expansão. Essas equações são usadas para descrever galáxias, buracos negros e o próprio cosmos.

O modelo dominante hoje é o Lambda-CDM, que inclui matéria escura fria e a famosa energia escura para explicar por que o universo está se expandindo cada vez mais rápido. Mas, segundo os autores, esse modelo é instável, como um lápis equilibrado na ponta: parece uma solução perfeita das equações, mas qualquer pequena perturbação o derruba. Soluções instáveis, na física, não são consideradas reais, porque nunca as observamos na natureza.

Blake Temple, professor emérito de matemática e autor principal do estudo, explica que os espaços-tempo de Friedmann – os modelos matemáticos que descrevem a expansão uniforme do universo – são particularmente instáveis, tanto em escalas pequenas quanto grandes, especialmente perto do Big Bang. Isso sugere uma explicação mais simples e natural, que fica totalmente dentro da teoria da gravidade de Einstein, sem precisar adicionar energia escura.

A energia escura foi proposta há cerca de 30 anos para justificar a aceleração observada. A ideia remonta ao próprio Einstein, que em 1915 introduziu uma “constante cosmológica? para tentar manter o universo estático. Depois que Hubble descobriu a expansão, Einstein chamou isso de seu maior erro. Décadas depois, nos anos 1990, a constante foi retomada e associada à energia escura.

Os pesquisadores investigaram alternativas e usaram versões auto-similares das equações de Einstein (que mantêm o mesmo padrão em diferentes escalas). Eles concluíram que a aceleração surge naturalmente das equações, sem necessidade de constante cosmológica ou energia escura. Além disso, o estudo desafia o princípio copernicano, que diz que a Terra (ou nossa posição) não ocupa um lugar especial no universo. Segundo eles, tanto o modelo atual quanto uma distribuição esférica simétrica exigiriam que estivéssemos em uma posição privilegiada para que tudo faça sentido.

Em resumo, o Big Bang pode se parecer com o modelo de Friedmann perto do centro, mas, mais longe, observamos acelerações naturais. Isso abre caminho para explicações mais simples, baseadas apenas na relatividade geral de Einstein, sem invocar componentes misteriosos como a energia escura. O trabalho foi financiado por instituições do Reino Unido e dos Estados Unidos e traz uma nova perspectiva para entender o cosmos.


Publicado em 12/06/2026 13h33


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Estudo original:


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