
doi.org/10.3847/1538-4357/ae4ed7
Credibilidade: 989
#Estrelas buraco negro
O Telescópio Espacial James Webb, da NASA, ESA e CSA, continua a desvendar mistérios do Universo primordial
Desde 2022, ele detectou uma classe intrigante de objetos chamados “pontos vermelhos pequenos? (little red dots, ou LRDs), que apareceram cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang. Agora, uma análise detalhada de um desses pontos trouxe a evidência mais convincente até hoje de que eles podem ser buracos negros supermassivos envolvidos por um denso casulo de gás.
Uma equipe liderada por Vasily Kokorev, da Universidade do Texas em Austin, estudou o objeto GLIMPSE-17775. Graças a uma combinação rara de sorte e tecnologia, os astrônomos obtiveram o espectro mais profundo já registrado de um ponto vermelho pequeno. Esse espectro, equivalente a mais de 80 horas de observação devido ao efeito de lente gravitacional de um aglomerado de galáxias ao fundo, revelou mais de 40 linhas espectrais. Todas elas apontam para um buraco negro que cresce rapidamente, cercado por uma nuvem espessa de gás ionizado que reprocessa a luz emitida perto dele.
“Quando vimos o espectro pela primeira vez, era como ter todas as peças de um quebra-cabeça espalhadas no chão”, explicou Kokorev. “Fomos juntando cada peça e percebemos que elas se encaixavam perfeitamente no modelo de “estrela buraco negro”.”
Entre as evidências estão linhas de hidrogênio, oxigênio, hélio e, especialmente, um “floresta de ferro? com 16 linhas desse elemento. A largura e a intensidade dessas linhas indicam a presença de um meio muito denso ao redor de uma fonte de alta energia – exatamente o que se espera de um buraco negro em processo de acreção (engolindo matéria). O modelo também explica por que esses objetos são fracos em raios X: a emissão é absorvida pelo casulo de gás.
Os dados do James Webb foram complementados por observações do Telescópio Hubble, que ajudaram a entender por que o “salto de Balmer? (uma característica típica desses pontos) aparece mais fraco: o objeto está rodeado por uma galáxia hospedeira gigante. Isso resolve outra dúvida: parte da luz azul extra vem das estrelas dessa galáxia, e não é necessário que o buraco negro seja tão massivo quanto se pensava antes.
Com isso, o Universo não precisa ser “reescrito”. Tudo se encaixa na história evolutiva que já conhecemos. “Nada está quebrado, e isso torna o quebra-cabeça do nosso Universo ainda mais bonito”, disse Kokorev.
Os cientistas acreditam que estamos perto de uma imagem unificada para esses pontos vermelhos pequenos. Nos próximos anos, observações mais profundas devem confirmar definitivamente o que alimenta esses objetos misteriosos do início do cosmos. O Telescópio James Webb, mais uma vez, prova ser a ferramenta mais poderosa para explorar os primeiros capítulos da história do Universo.
O Telescópio James Webb encontra a evidência mais forte de ‘estrelas buraco negro’#Estrelasburaconegro
– Terra Raraن (@Terra_Rara) June 12, 2026
O Telescópio Espacial James Webb, da NASA, ESA e CSA, continua a desvendar mistérios do Universo primordial
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Publicado em 10/06/2026 21h13
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