
doi.org/10.1007/s10714-026-03528-z
Credibilidade: 959
#Buraco Negro
Stephen Hawking propôs, na década de 1970, que os buracos negros não são completamente negros: eles emitem uma radiação fraca e, com o tempo, acabam evaporando por completo
Essa ideia, porém, cria um grande problema com as leis da mecânica quântica, conhecido como o paradoxo da perda de informação.
Imagine que você joga um livro no fogo. O livro queima e vira fumaça, cinzas e calor, mas, em princípio, seria possível reconstruir todas as palavras a partir dessas sobras – a informação não desaparece, apenas se embaralha. No caso de um buraco negro, se ele evaporar totalmente, toda a informação sobre o que caiu dentro dele parece sumir para sempre. Isso viola um princípio fundamental da física quântica, que diz que a informação nunca pode ser destruída.
Um novo estudo teórico sugere uma saída para esse impasse. Segundo os pesquisadores, os buracos negros não evaporam completamente. Em vez disso, no final do processo, eles deixam para trás pequenos “restos? estáveis, que guardam toda a informação que o buraco negro engoliu ao longo de sua existência.
Mas há uma condição importante: para que isso funcione, o Universo precisa ter sete dimensões no total. Nós percebemos apenas três dimensões de espaço e uma de tempo (quatro no total). O modelo propõe que existem mais três dimensões extras, tão pequenas e enroladas que não conseguimos percebê-las diretamente.
Essas dimensões extras formam uma estrutura geométrica muito simétrica, chamada geometria G”. Essa configuração gera um efeito chamado torção do espaço-tempo – uma espécie de “torcimento? que produz uma força repulsiva em escalas extremamente pequenas.
Quando o buraco negro encolhe por causa da radiação de Hawking e chega a um tamanho minúsculo, essa força repulsiva atua como um freio. Ela impede que o buraco negro desapareça de vez, estabilizando-o em um resto microscópico, com massa cerca de 10 bilhões de vezes menor que a de um elétron.
Esse resto minúsculo é capaz de armazenar a informação que foi engolida, codificada em oscilações sutis chamadas modos quase-normais. Assim, a informação não se perde e as leis da mecânica quântica são respeitadas.
Curiosamente, o mesmo mecanismo de torção também ajuda a explicar o mecanismo de Higgs, que dá massa às partículas elementares, conectando a física dos buracos negros com o mundo das partículas subatômicas.
O estudo não resolve todos os problemas da gravidade quântica – em escalas tão pequenas, ainda é necessário um teoria completa que una a mecânica quântica à gravidade. No entanto, ele oferece uma explicação concreta de como novos efeitos físicos podem impedir a evaporação total e preservar a informação.
Os autores reconhecem que testar a ideia diretamente é muito difícil, pois envolve energias altíssimas, fora do alcance dos aceleradores atuais. Mesmo assim, o modelo faz previsões claras, como a existência de partículas associadas às dimensões extras com massas extremamente elevadas. Se essas partículas mais leves fossem detectadas, o modelo seria descartado. Observações futuras de buracos negros primordiais ou ondas gravitacionais também poderiam trazer indícios indiretos.
Se confirmado, esse conceito de que os buracos negros deixam pequenos restos carregados de informação poderia mudar nossa compreensão sobre a gravidade, a mecânica quântica e a própria estrutura do Universo.
Publicado em 17/04/2026 17h00
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