
doi.org/10.1051/0004-6361/202557993
Credibilidade: 989
#expansão do universo
Um novo e abrangente estudo, que reuniu décadas de pesquisas independentes, mostra que há algo de errado na nossa compreensão de como o Universo se expande
A diferença entre as medições não é erro ou acaso – ela indica que falta uma peça importante na física atual.
Os astrônomos medem a taxa de expansão do Universo, chamada de constante de Hubble, de duas formas principais. Uma usa a luz mais antiga do cosmos, o fundo cósmico de micro-ondas, que veio logo após o Big Bang. A outra observa o Universo próximo, usando estrelas e supernovas cujas distâncias conhecemos bem. Essas duas formas deveriam dar o mesmo resultado, mas não dão. Essa discrepância, conhecida como tensão de Hubble, é grande demais para ser explicada por incertezas estatísticas.
Para resolver a dúvida, um grande grupo de astrônomos se reuniu, analisou os melhores dados disponíveis e votou nos métodos mais confiáveis. O resultado, publicado em abril de 2026 na revista Astronomy & Astrophysics, é o valor mais preciso já obtido para a expansão local do Universo: 73,50 km/s por megaparsec, com apenas 1,09% de incerteza. Mesmo assim, a tensão continua existindo.
Richard Anderson, um dos autores do estudo, explica: “Comparar o valor da expansão medida no Universo próximo com o medido no Universo primordial testa a física básica em escalas cósmicas. E o resultado diz que algo está faltando”.
Uma rede de distâncias cósmicas
Em vez de usar apenas uma “escada de distâncias? tradicional, os pesquisadores criaram uma verdadeira rede chamada Local Distance Network. Ela reúne dezenas de métodos diferentes de medição, com muitas sobreposições intencionais para reduzir erros. Se um método é removido (por exemplo, o das estrelas Cefeidas), o resultado quase não muda. Isso dá muita confiança ao trabalho.
A rede se baseia em “âncoras? seguras: objetos cujas distâncias foram medidas de forma direta, como por paralaxe (o mesmo princípio que usamos quando fechamos um olho e depois o outro para ver um dedo “pular”). Usaram a galáxia NGC 4258, as Nuvens de Magalhães, estrelas variáveis da Via Láctea, gigantes vermelhas velhas, megamasers (verdadeiros lasers cósmicos) e mais de 7.500 galáxias observadas por telescópios como o Hubble e o DESI, até distâncias de mais de um bilhão de anos-luz.
John Blakeslee, outro autor, sugere que campos magnéticos primordiais poderiam ser uma das explicações novas para a diferença observada no fundo cósmico de micro-ondas.
O mais importante é que esse trabalho não é só um novo número: é um framework aberto e modular, construído pela comunidade científica. Com os novos telescópios que estão por vir, será possível testar ainda melhor as ideias. Por enquanto, porém, o recado é claro: nossa modelo atual do cosmos está incompleto e precisamos de nova física para entender a energia escura e o destino final do Universo.
Estudo mais completo do cosmos confirma que ainda não conseguimos explicar a expansão do universo#expansãodouniverso
— Terra Rara??????ن (@Terra_Rara) April 17, 2026
Um novo e abrangente estudo, que reuniu décadas de pesquisas independentes, mostra que há algo de errado na nossa compreensão de como o Universo se expande pic.twitter.com/vUttR9s1Nv
Publicado em 17/04/2026 08h39
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