Oceanos escondidos de magma podem proteger vida em outros planetas

Camadas profundas de rocha derretida no interior de algumas super-Terras podem gerar campos magnéticos poderosos – potencialmente mais fortes que o da Terra – e ajudar protegendo esses exoplanetas da radiação nociva. Crédito: Ilustração do Laboratório de Energética a Laser da Universidade de Rochester / Michael Franchot

doi.org/10.1038/s41550-025-02729-x
Credibilidade: 959
#Exoplaneta 

Bem no interior de alguns planetas rochosos gigantes, chamados de super-Terras, existem vastas camadas de rocha derretida que podem estar criando campos magnéticos poderosos

Esses “oceanos? escondidos de magma funcionam como um escudo invisível, protegendo o planeta de radiação cósmica e partículas de alta energia que poderiam destruir qualquer forma de vida na superfície.

Aqui na Terra, o campo magnético que nos protege surge do movimento do ferro líquido no núcleo externo do planeta, um processo conhecido como dínamo. No entanto, nos super-Terras – planetas maiores que a Terra, mas menores que Netuno “, as coisas podem ser diferentes. Seus núcleos podem ser totalmente sólidos ou completamente líquidos, o que dificulta a geração de um campo magnético pelo mesmo mecanismo que usamos aqui.

Pesquisadores da Universidade de Rochester descobriram uma solução surpreendente: uma camada profunda de magma chamada oceano de magma basal. Em um estudo publicado na revista “Nature Astronomy”, eles mostram que essa rocha derretida, sob pressões extremas, consegue conduzir eletricidade e gerar um dínamo magnético duradouro.

Miki Nakajima, professora associada e uma das autoras do trabalho, explica que um campo magnético forte é essencial para a vida. Sem ele, planetas como Vênus e Marte perderam grande parte de suas atmosferas e água. Já os super-Terras, por serem mais comuns na galáxia e frequentemente localizados na zona habitável (onde a água pode existir no estado líquido), ganham uma chance maior de abrigar vida se conseguirem manter esse escudo protetor.

Os cientistas simularam as condições extremas do interior desses planetas usando experimentos com lasers de choque no Laboratório de Energetica a Laser da universidade, combinados com simulações computacionais. Os resultados revelaram que, em planetas com mais de três a seis vezes o tamanho da Terra, o magma profundo pode permanecer condutor por bilhões de anos, produzindo campos magnéticos até mais fortes e estáveis que o da Terra.

Isso muda a forma como pensamos sobre a habitabilidade de exoplanetas. No passado, a própria Terra pode ter tido uma camada semelhante de magma basal, que influenciou seu desenvolvimento. Nos super-Terras, por causa da maior pressão interna, essa camada tende a durar muito mais tempo, ajudando a manter o planeta quente por dentro, a regular o calor e, o mais importante, criando um campo magnético que defende a vida.

Essa descoberta abre novas portas para a busca por vida fora do Sistema Solar. Quando futuros telescópios conseguirem medir os campos magnéticos de exoplanetas distantes, poderemos testar essa hipótese. Enquanto isso, os pesquisadores continuam unindo física, geologia e astronomia para entender melhor como esses mundos gigantescos funcionam.

Em resumo, oceanos escondidos de magma não são apenas curiosidades geológicas: eles podem ser a chave para planetas rochosos gigantes se tornarem refúgios seguros para formas de vida alienígenas. Uma ideia que expande nossa imaginação sobre onde a vida pode existir no universo.


Publicado em 14/04/2026 03h10


English version



Estudo original:


{teste}