
doi.org/10.1093/mnras/stag291
Credibilidade: 989
#Buracos negros
A cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra, uma galáxia brilhante chamada Mrk 501 pode estar prestes a nos oferecer um espetáculo raro: a colisão de dois buracos negros supermassivos em uma escala de tempo que os humanos ainda podem acompanhar, possivelmente em menos de um século
Essa galáxia é um tipo especial chamado blazar, no qual um buraco negro supermassivo no centro ejeta jatos de matéria a velocidades próximas à da luz, apontados quase diretamente para nós. Uma análise recente de observações de rádio de alta resolução, feita ao longo de 23 anos, revelou algo surpreendente: o comportamento estranho da luz e dos jatos sugere que não há apenas um, mas dois buracos negros supermassivos no núcleo da galáxia, cada um impulsionando seu próprio jato.
Os astrônomos, liderados por Silke Britzen, do Instituto Max Planck de Radioastronomia na Alemanha, observaram que o jato principal apresenta movimentos complexos, como se oscilasse, e identificaram indícios de um segundo jato mais fraco que parece girar em torno do centro. Esses padrões são melhor explicados pela presença de um par de buracos negros orbitando um ao outro. Um dos períodos de variação observado é de cerca de sete anos, compatível com uma oscilação no sistema, enquanto outro, de aproximadamente 121 dias, pode corresponder ao tempo de órbita dos dois objetos.
A distância entre eles seria extremamente pequena para objetos tão gigantescos – algo entre 250 e 540 vezes a distância da Terra ao Sol, ou menos de 0,003 parsecs. Isso os coloca muito próximos, superando um desafio conhecido como o “problema do parsec final”, no qual os buracos negros deveriam ficar “presos? em órbita sem conseguir se aproximar mais. Se essa descoberta se confirmar, ela ajudaria a entender como esses monstros cósmicos, com massas de milhões a bilhões de vezes a do Sol, conseguem crescer tanto ao longo do tempo, provavelmente por meio de fusões.
Buracos negros supermassivos existem no centro da maioria das grandes galáxias e, quando as galáxias colidem, seus buracos negros centrais também são atraídos um para o outro. No caso de Mrk 501, o par está tão próximo que a fusão pode ocorrer em poucas décadas. Embora ainda não seja uma detecção definitiva – pois não foi possível imagens diretas dos dois jatos “, essa é atualmente a explicação mais convincente para o que os telescópios de rádio vêm registrando.
Os cientistas continuarão monitorando a galáxia com atenção, pois, se os buracos negros realmente colidirem, isso representaria a primeira oportunidade de observar ao vivo a fusão de buracos negros supermassivos, um evento que libera energia imensa e ajuda a desvendar mistérios sobre a evolução das galáxias e do Universo. É um lembrete fascinante de como o cosmos ainda guarda surpresas bem próximas de nós, em termos astronômicos.
Publicado em 10/04/2026 03h30
Estudo original:

