
doi.org/10.3847/1538-4357/ae4351
Credibilidade: 989
#GRB
Astrônomos identificaram o eco de uma explosão espacial extremamente energética que passou despercebida no momento em que aconteceu
Trata-se de um surto de raios gama, um dos fenômenos mais violentos do universo, com potência equivalente à emissão de cerca de um bilhão de sóis. A explosão inicial, que libera em segundos uma quantidade imensa de energia em forma de raios gama de alta energia, não foi captada pelos telescópios, provavelmente porque o jato principal estava apontado em uma direção que não alcançou a Terra.
O que os cientistas conseguiram observar foi o chamado “eco” ou afterglow em rádio: a onda de choque gerada pela explosão que se propagou pelo meio interestelar ao redor, interagindo com o gás e a poeira circundantes e produzindo radiação detectável em ondas de rádio. Essa emissão radiofônica surgiu de forma rápida, atingindo um brilho intenso equivalente à saída total de rádio de bilhões de sóis, e depois começou a diminuir lentamente ao longo do tempo.
A descoberta veio de observações em rádio que revelaram um comportamento incomum: em vez de seguir padrões típicos de fontes persistentes ou variáveis comuns, o sinal se encaixava perfeitamente no perfil esperado para o afterglow de um surto de raios gama oculto. Os pesquisadores rastrearam a origem até uma pequena galáxia brilhante situada a cerca de 1,7 bilhão de anos-luz de distância.
Esse caso se destaca como um dos exemplos mais claros de explosões cósmicas “escondidas”, nas quais o evento principal escapa da detecção direta, mas deixa traços duradouros no ambiente. Estudos como esse ajudam a entender melhor a natureza desses surtos extremos, que geralmente estão associados ao colapso de estrelas massivas ou à fusão de objetos compactos, e mostram como o universo continua revelando eventos poderosos mesmo quando eles não são vistos de imediato.
A pesquisa foi publicada na revista The Astrophysical Journal e demonstra o valor de monitorar o céu em diferentes comprimentos de onda para capturar fenômenos que, de outra forma, permaneceriam invisíveis.
Publicado em 23/03/2026 10h20
Estudo original:

