
doi.org/10.1103/6z1m-r1j5
Credibilidade: 989
#CMB
A radiação cósmica de fundo em micro-ondas, conhecida como CMB, é a luz mais antiga que conseguimos observar: um eco fraco do Big Bang, que viajou pelo espaço por quase 14 bilhões de anos até chegar até nós
Essa luz carrega informações preciosas sobre o universo primordial, e parte dela está polarizada – ou seja, suas ondas vibram em direções específicas, como se fossem setinhas alinhadas.
Cientistas descobriram que essa polarização pode sofrer uma pequena rotação durante a longa viagem pelo cosmos, um efeito chamado birefringência cósmica. É como se a luz antiga tivesse sido sutilmente “torcida? ao longo do caminho. Estudos anteriores estimavam essa torção em cerca de 0,3 graus – um valor bem pequeno, mas intrigante, porque o modelo padrão da física não prevê tal rotação.
Agora, uma equipe liderada por Fumihiro Naokawa, doutorando da Universidade de Tóquio, em colaboração com Toshiya Namikawa do Instituto Kavli de Física e Matemática do Universo, desenvolveu uma nova forma de analisar essas medições. Eles examinaram com mais cuidado as incertezas envolvidas e descobriram algo importante: existe uma ambiguidade de 180 graus na medição do ângulo de rotação. Imagine um relógio: olhando só para os ponteiros, você não sabe se é meio-dia ou meia-noite mais 12 horas – o ponteiro pode ter dado meia volta a mais sem você perceber. Da mesma forma, a luz do CMB que vemos hoje pode ter girado 0,3 graus… ou 180,3 graus… ou até mais voltas completas.
Ao estudar o formato detalhado do sinal (especialmente a correlação entre os modos E e B da polarização), os pesquisadores conseguiram reduzir essa ambiguidade. O resultado sugere que a torção real pode ser maior do que os 0,3 graus reportados antes. Essa correção não só melhora a precisão como também mostra que a birefringência cósmica influencia outras medições importantes, como a profundidade óptica do universo (relacionada à época em que as primeiras estrelas e galáxias “reionizaram? o cosmos), o que pode exigir ajustes em nossos modelos cosmológicos.
Por que isso importa tanto? Se confirmada, uma rotação maior indicaria uma quebra da simetria esquerda-direita no universo – algo que o modelo padrão não explica e que poderia apontar para nova física. Possíveis culpados incluem partículas hipotéticas como os áxions, que poderiam resolver mistérios da matéria escura, ou até efeitos ligados à energia escura. Seria um sinal de que o universo tem uma preferência sutil por um lado em vez de ser perfeitamente simétrico.
A descoberta ainda precisa de mais confirmações, especialmente com dados de telescópios futuros como o Simons Observatory e o LiteBIRD. Mas já representa um avanço importante: ao resolver essa ambiguidade de fase, os cientistas estão afinando nossa visão da luz mais antiga do universo e abrindo portas para entender melhor o que aconteceu nos instantes iniciais do cosmos – e talvez descobrir segredos que ainda não imaginamos.
Publicado em 13/03/2026 07h24
Estudo original:

