
doi.org/10.1002/alz.70704
Credibilidade: 989
#Cérebro
Um estudo clínico nos Estados Unidos testou dois medicamentos – um usado para diabetes e um spray nasal de insulina – e descobriu que eles podem ajudar a tratar problemas leves de memória e pensamento, comuns no início da doença de Alzheimer, sem causar efeitos colaterais graves
A Alzheimer e outras formas de demência são condições muito complexas, e os cientistas acreditam que será necessário combinar diferentes tratamentos para controlá-las melhor. Os dois medicamentos testados neste estudo agem em processos biológicos diferentes:
– Empagliflozina: Um remédio já usado para diabetes, que reduz a inflamação no corpo, algo que está ligado ao aparecimento da Alzheimer, além de outros benefícios.
– Spray nasal de insulina: Entrega insulina diretamente ao cérebro, ajudando a manter as células cerebrais saudáveis.
Como foi o estudo?
O estudo envolveu 47 adultos com idades entre 55 e 85 anos, dos quais 42 completaram o tratamento. Eles tinham leve comprometimento cognitivo, demência leve ou apresentavam sinais moleculares ligados à Alzheimer, mesmo sem sintomas claros. Durante quatro semanas, os participantes receberam:
– Apenas empagliflozina;
– Apenas o spray nasal de insulina;
– Os dois medicamentos juntos;
– Ou um placebo (uma substância sem efeito).
O estudo foi pequeno, então não foi possível confirmar diferenças significativas entre os grupos, mas ele mostrou algumas tendências promissoras. O objetivo principal era testar a segurança dos medicamentos.
Resultados Animadores
A neurocientista Suzanne Craft, da Escola de Medicina da Universidade Wake Forest, liderou o estudo e destacou os principais achados:
– Empagliflozina: Reduziu os níveis de uma proteína chamada tau no líquido espinhal, que forma aglomerados prejudiciais no cérebro de pessoas com Alzheimer. Também melhorou o fluxo sanguíneo no cérebro, os níveis de colesterol e outros marcadores ligados à progressão da doença.
– Spray nasal de insulina: Melhorou os resultados em testes de memória e raciocínio. Exames de imagem do cérebro mostraram benefícios na conexão da substância branca (que ajuda na comunicação entre as regiões do cérebro) e no fluxo sanguíneo relacionado à memória.
Por que isso importa?
O estudo focou no metabolismo, ou seja, na forma como o corpo transforma energia. Isso é crucial para a saúde geral e pode ser uma nova abordagem para tratar a Alzheimer, diferente de focar apenas nos sintomas mais avançados da doença.
A empagliflozina, como remédio para diabetes, ajuda o corpo lidando melhor com glicose e sódio, reduzindo inflamações, estresse nas células e melhorando a sensibilidade à insulina. Já o spray de insulina foi escolhido porque a resistência à insulina (quando o corpo não responde bem à insulina) está ligada à Alzheimer, e estudos anteriores mostraram que a insulina pode melhorar a saúde das células cerebrais, a estrutura da substância branca e o fluxo sanguíneo.
Um Passo Inicial
Esse foi um estudo pequeno e rápido, feito para confirmar a segurança dos medicamentos e se basear em pesquisas anteriores. Embora os resultados sejam animadores, ainda é preciso fazer testes maiores e mais longos para confirmar se esses medicamentos realmente podem ajudar a prevenir ou tratar a Alzheimer.
Os cientistas observaram que esses tratamentos equilibram a resposta do sistema imunológico, ajudando-o combatendo a doença sem causar inflamações excessivas que poderiam danificar o cérebro.
O Futuro
“Nosso estudo sugere que focar no metabolismo pode mudar o curso da doença de Alzheimer”, diz Craft. “Essas descobertas mostram que o metabolismo é uma nova fronteira poderosa no tratamento da Alzheimer.”
A equipe planeja realizar estudos maiores com pessoas que têm Alzheimer em estágios iniciais ou sinais precoces da doença. Eles acreditam que esses medicamentos, sozinhos ou combinados com outros tratamentos, podem oferecer benefícios reais.
Resumindo
Dois medicamentos – um para diabetes e um spray nasal de insulina – mostraram resultados promissores em um pequeno estudo, ajudando a melhorar a saúde do cérebro em pessoas com sinais iniciais de Alzheimer. Eles reduziram marcadores de danos cerebrais, melhoraram o fluxo sanguíneo e a memória, sem causar efeitos colaterais graves. Mais pesquisas são necessárias, mas esses tratamentos podem abrir um novo caminho para combater a Alzheimer.
Publicado em 26/10/2025 20h31
Estudo original:

