
doi.org/10.1130/GES02857.1
Credibilidade: 989
#Big One
Pesquisas recentes indicam que um grande terremoto no noroeste dos Estados Unidos pode desencadear outro na Califórnia, aumentando os riscos de destruição
Quando a zona de subducção tectônica sob o noroeste do Pacífico se move, o impacto é intenso. Um terremoto de magnitude 9 ou mais nessa região pode causar tremores violentos, tsunamis e deslizamentos de terra, gerando uma enorme devastação.
Um novo estudo publicado na revista *Geosphere* sugere que esse “grande terremoto” poderia também provocar um terremoto significativo na Califórnia, aumentando ainda mais o perigo.
“É difícil exagerar o que um terremoto de magnitude 9 seria no noroeste do Pacífico”, explica o Dr. Chris Goldfinger, paleossismólogo da Universidade Estadual do Oregon e principal autor do estudo. “E a possibilidade de um terremoto na falha de San Andreas logo depois? Isso parece coisa de filme.”
Como a Costa do Pacífico se Movimenta
A costa oeste dos Estados Unidos está localizada sobre uma rede complexa de placas tectônicas. Ao norte do Cabo Mendocino, na Califórnia, a placa Juan de Fuca mergulha sob a placa Norte-Americana, formando uma zona de subducção poderosa. Ao sul, as placas do Pacífico e Norte-Americana deslizam uma contra a outra, causando terremotos ocasionais, como o devastador terremoto de São Francisco em 1906. A ideia de que essas duas zonas de falhas possam romper quase ao mesmo tempo representa um risco sísmico muito maior para o oeste dos Estados Unidos.

Uma Descoberta por Acaso
Os cientistas não estavam inicialmente procurando por essa conexão. A descoberta aconteceu por acidente durante uma expedição de pesquisa em 1999. O objetivo era estudar registros de sedimentos no fundo do mar para entender os terremotos na região de Cascadia, mas um erro de navegação mudou tudo. Um estudante inseriu a latitude errada, e o navio acabou 90 km ao sul do planejado, próximo ao Cabo Mendocino, na área da falha de San Andreas.
“Acabamos na costa norte da Califórnia”, conta Goldfinger. “Fiquei bem irritado no começo, mas já que estávamos lá, decidi coletar uma amostra.”
Ao analisar o material coletado no Cânion Noyo, na costa da Califórnia, os pesquisadores encontraram algo inesperado. O sedimento, que cobria cerca de 3.000 anos, continha várias camadas de turbiditos – depósitos formados por deslizamentos submarinos rápidos. Esses turbiditos tinham uma característica incomum: muitos apareciam em pares, com uma camada de grãos finos e outra de grãos mais grossos por cima.
“Esses turbiditos duplos nos deixaram intrigados”, diz Goldfinger.
Uma Con)D Conexão Surpreendente
Usando datação por radiocarbono, os cientistas descobriram que mais da metade dos turbiditos ao norte e ao sul do Cabo Mendocino foram depositados ao mesmo tempo, dentro da margem de erro da datação. Isso não podia ser coincidência. Após descartar outras explicações, eles concluíram que o primeiro turbidito de cada par no Cânion Noyo foi causado por um grande terremoto na zona de Cascadia, enquanto o segundo foi provocado por um movimento na falha de San Andreas logo depois.
Riscos em Cadeia
O intervalo de tempo entre esses terremotos não é exato, porque o segundo turbidito pode ter apagado sedimentos intermediários. No entanto, em alguns casos, os pesquisadores encontraram evidências de que o segundo depósito ocorreu minutos ou horas após o primeiro, sugerindo que quase toda a costa do Pacífico dos EUA poderia ser atingida por grandes terremotos quase simultaneamente.
Essa possibilidade levanta preocupações sobre a preparação para um evento tão grave, que poderia causar enormes danos a vidas e infraestruturas.
“Sou do Vale do Silício”, diz Goldfinger. “Se eu estivesse lá e Cascadia tivesse um terremoto, eu dirigiria para o leste. Parece haver um risco muito alto de que a falha de San Andreas seja a próxima.”
Publicado em 16/10/2025 22h44
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